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Fernando Costa é sociólogo e publicitário

Ópera-bufa

Tipo Opinião
Fernando Costa 
Sociólogo e publicitário
 (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Fernando Costa Sociólogo e publicitário

Todos sabem, ou deveriam saber, que a ópera-bufa nada mais é que uma ópera de origem italiana do século XVIII, ligeira, espirituosa e satírica, normalmente com dois ou três atos, com personagens burlescos, desenvolvida a partir dos intermezzi e apresentadas entre os atos de uma ópera séria. As manifestações bolsonaristas do último 7 de setembro se assemelharam, e muito, a uma ópera-bufa.

Milhares de bufões integrantes de grupos familiares de whatsapp, a bíblia dos tios e tias rancorosos e fascistas, foram às ruas atraídos pela promessa do Bufão Mor de que era chegada a hora do grande golpe em nome de Deus e da pátria contra os "malditos comunistas."

Os setores ultraconservadores de extrema direita do agronegócio cuidaram de organizar e financiar a marcha dos walking deads para Brasília, onde a cena burlesca seria encenada.

A grande esperança do Bufão Mor era de que as forças policiais, militares e civis, fossem para a rua, mas ele esqueceu que a polícia usa farda e não fantasia de golpista.

Alguns acham que Bolsonaro recuou ou fez como sempre, diante do fracasso iminente, apressou-se em desdizer tudo o que havia dito. Mas como disse um simpatizante do golpe nas redes sociais: "antes do tsunami, o mar recua". Mas não se pode negar que a tentativa de golpe foi uma festa fascista de causar inveja a Mussolini, se vivo fosse.

As camisas da seleção, de Neymar e Daniel Alves, cobriram boa parte da praça dos três poderes, enquanto na noite anterior os caminhões do agronegócio arrebentaram as frágeis linhas de defesa da polícia de Brasília.

Não chegaram a invadir o STF porque não quiseram, devem ter pensado como seria o dia seguinte com Bolsonaro ditador ou consultaram o golpista Temer e sua turma de comensais.

Nesse ponto, termina a ópera-bufa e recomeça a ópera trágica. Boa, força de expressão, parte da elite financeira do Brasil quer e vai insistir com o golpe.

Bolsonaro e família podem ser as primeiras vítimas desse golpe, se vier a acontecer. Porque a ópera dramática encenada com tons burlescos numa mesa onde estão, além de Temer, Naji Nahas, Gilberto Kassab, Johnny Saad e outros personagens secundários, mas não menos representativos do que de pior existe neste país, é o retrato fiel de um Brasil que quer continuar desmatando, matando indígenas, sendo homofóbico e machista e que já perceberam que podem eleger um fanático, mas o custo-benefício é muito alto. n

 

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