Âncora do programa Esportes do Povo nas rádios O POVO CBN e CBN Cariri, além do Canal FDR TV e plataformas digitais; comentarista de esportes da Rádio O POVO CBN e CBN Cariri; colunista do O POVO impresso, O POVO+ e redes sociais do O POVO. Além de Comunicação, é formado em Direito
Foto: Lucas Emanuel/FCF
Principais árbitros do Brasil terão ganhos maiores
A profissionalização da arbitragem anunciada pela CBF, nesta semana, é uma daquelas decisões que chegam com atraso enorme, mas ainda assim merecem reconhecimento.
Há muitos anos, todo mundo cobra um modelo mais sério de trabalho, estruturado e transparente para quem apita os jogos mais importantes do País.
Agora, finalmente (a previsão é que o início do projeto ocorra no mês de março), a ideia sai do discurso e começa a ganhar forma concreta, com investimento previsto de R$ 195 milhões nos dois anos iniciais, 2026 e 2027.
É impossível ignorar o simbolismo do movimento. Ao oferecer contrato, salário fixo e atração para dedicação exclusiva, a CBF admite algo que sempre foi óbvio: não dá para exigir excelência de um profissional tratado como eventual.
Arbitragem de alto nível pressupõe preparo físico, estudo constante, reciclagem técnica e estabilidade mínima. Nesse ponto, a medida é correta e necessária, ainda que os valores ainda estejam muito distantes do topo salarial do futebol brasileiro.
O árbitro mais bem remunerado deve receber por volta de R$ 30 mil, bem menos do que o menor salário de qualquer atleta de um elenco da Série A. Isso evidencia a desigualdade estrutural do jogo, mas não invalida o avanço. O importante é reduzir a precariedade, diminuir conflitos de agenda e permitir que o árbitro tenha foco total na função.
Serão 72 árbitros (entre principais, auxiliares e VAR, incluindo o excelente cearense Nailton Júnior) nesse primeiro momento. É um começo, ainda restrito à elite. Série A, possivelmente Série B. Está longe de resolver todos os problemas, mas cria um novo patamar. A expectativa de melhora existe, embora seja irreal imaginar transformação imediata. Cultura não muda da noite para o dia, sobretudo em um ambiente historicamente hostil à arbitragem.
E é justamente aí que mora o ponto central. Profissionalizar não pode significar blindar. Ao contrário. A CBF terá agora a obrigação de exercer controle real de competência. Erros fazem parte do jogo, mas falhas graves, que interferem diretamente no resultado, precisam ser tratadas com transparência. Avaliações públicas, critérios claros, afastamentos quando necessários. Sem isso, o novo modelo perde credibilidade rapidamente.
Outro aspecto fundamental é a corresponsabilidade. Já abordei tal cenário por aqui algumas vezes. Jogadores, comissões técnicas e dirigentes também precisam colaborar. São todos insuportavelmente chatos e atrapalham qualquer tentativa de melhora com comportamentos patéticos.
Não há profissionalização possível em meio ao caos, à pressão desmedida e à tentativa constante de intimidação. Não se vê nada parecido em nenhum lugar do planeta. O ambiente do futebol brasileiro precisa amadurecer junto com a arbitragem e talvez esse seja o maior dos desafios.
A polêmica não vai acabar. Nunca acabou em lugar nenhum do mundo. O que se espera é que ela deixe de ser protagonista e passe a ser exceção. Menos interferência no placar, menos desconfiança generalizada, menos sensação de improviso. Isso, sim, seria um ganho enorme para o esporte, até porque a decisão da CBF não resolve tudo, mas aponta o começo de um caminho, ao menos.
Depois de tanto tempo sendo cobrada, a entidade finalmente dá um passo concreto. Cabe agora sustentar o projeto, aprimorá-lo e, sobretudo, ter coragem para aplicá-lo com seriedade.
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