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O luxo da imprevisibilidade
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Professora em MBAs de Marketing do IBMEC Business School e da Unifor. Consultora na Gal Kury Marketing & Branding.

Gal Kury opinião

O luxo da imprevisibilidade

Que em 2026 a gente consiga subverter o roteiro. Que nossas emoções sejam regidas pela espontaneidade e não pelo que "todo mundo está fazendo". Que o luxo seja, enfim, a nossa própria autenticidade
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Réveillon 2025-2026 no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, com 10 minutos que queima de fogos (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES Réveillon 2025-2026 no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, com 10 minutos que queima de fogos

O ano virou, e com ele, aquela avalanche de rituais milimetricamente calculados. O branco obrigatório, a festa com centenas de convidados, a viagem agendada com meses de antecedência. O vai e vem das celebridades por todos os lugares desfilando nas redes sociais. Mas, enquanto observava o movimento ao meu redor neste início de 2026, me peguei questionando: onde foi parar o espaço para o inesperado? Será que ainda somos capazes de ser imprevisíveis, ou fomos vencidos pela previsibilidade confortável (e viciante) dos algoritmos?

Vi passagens de ano completamente díspares, e o que mais me encantou foi justamente o que fugiu à regra. Teve quem preferiu o silêncio do próprio travesseiro ao barulho dos fogos. Teve quem trocou o "total white" por uma explosão de cores, subvertendo a simbologia do óbvio. Teve quem descobriu que a melhor companhia não era a pessoa mais badalada do feed, mas aquele amigo ou parente, e por que não, até seus pets, que estão na mesma frequência de vida que a sua.

A verdadeira sofisticação de 2026, acredito eu, vai residir na coragem de ser espontâneo em um mundo programado. Falo de descobrir novas formas de afeto. Aquele abraço demorado na vizinha de anos, que você sentiu, intuitivamente, que precisava de um gesto de carinho.

O reencontro com alguém que não se via há décadas, mas cuja conexão faz o tempo parecer uma mera formalidade. Ou, simplesmente, uma chamada de vídeo ou uma mensagem inesperada para dizer "estou aqui", lembrei de você, sem esperar que o outro precise ou que a data peça. Por que o afeto necessita de agenda?

Que em 2026 a gente consiga subverter o roteiro. Que nossas emoções sejam regidas pela espontaneidade e não pelo que "todo mundo está fazendo". Que o luxo seja, enfim, a nossa própria autenticidade.

É um prazer imenso iniciar mais um ciclo com vocês. Este já é o meu oitavo ano como colunista neste querido O POVO. Muito obrigada pela leitura e pela companhia de sempre. Vamos juntos descobrir as surpresas deste novo ano.

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