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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A reação, em números, do Ministério Público

Tipo Análise

No popular, seria o caso de dizer que o Ministério Público do Ceará sentiu o golpe. O barulho proporcionado pela operação que, semana passada, juntou Controladoria Geral da União (CGU), procuradores da República e a Polícia Federal na investigação de pontos mal amarrados numa das compras de respiradores pela prefeitura de Fortaleza parece que levou à necessidade de se mostrar que a coisa não estava parada no núcleo estadual.

Ficou patente, considerados os números apresentados nas últimas horas, que houve uma falha na comunicação à população do que estava sendo feito. Ou, na verdade, na "não comunicação".

O problema parece ser muito mais de ordem política, não tendo a ver com comunicação no sentido restrito e técnico. Os 134 procedimentos abertos em 72 municípios, mostrados no primeiro balanço que o Ministério Público do Ceará apresenta, e que promete agora atualizar semanalmente, indicam uma atividade bem intensa de procuradores, promotores e suas equipes na investigação de denúncias que chegam de mau uso do dinheiro contado, e insuficiente, para ações de combate à Covid-19.

Esclareça-se que o termo "política" utilizado para o caso diz respeito a gestão, não se devendo aplicar-lhe um sentido mais amplo e que crie ideia de favorecer corrente "a", partido "b" ou ideologia "c". Afastar completamente a hipótese não é o caso, porque infelizmente não seria a primeira vez que isso aconteceria, mas para sustentá-la é preciso mais do que aquilo que o deputado Capitão Wagner apontou na ocasião, sugerindo algo do tipo corpo mole apenas valendo-se de ligações pessoais e familiares entre uma procuradora e um integrante do governo Camilo Santana. Mãe e filho, no caso. Assim não.

Os números e o balanço acabam sendo uma boa resposta à suspeição levantada pelo parlamentar, a partir da espetaculosa ação federal do último dia 25 de maio que rendeu buscas, apreensões, declarações, entrevistas e barulho. Inclusive porque eles incluem um capítulo sobre Fortaleza, indicando que aquela situação também está sendo investigada no âmbito estadual.

Como lição principal de tudo, talvez, tenha ficado a demonstração reafirmada de que manter a sociedade informada ajuda, inclusive, a deixá-la menos exposta a explorações que buscam mais o resultado político do que exatamente a verdade.

 

 

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