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A silenciosa briga dos extremos no Peru
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A silenciosa briga dos extremos no Peru

Candidato da esquerda, Pedro Castrillo surpreende previsões e lidera o primeiro turno da disputa presidencial. A apuração ainda acontece, mas deverá enfrentá-lo na etapa final a direitista Keiko Fujimori
A police officer casts his vote at a polling station in Lima during the Peruvian presidential election on June 5, 2011. Peruvians voted Sunday in an extremely close presidential run-off between Ollanta Humala, a nationalist ex-lieutenant colonel and Keiko Fujimori, daughter of a jailed ex-strongman.  AFP PHOTO/CRIS BOURONCLE
 (Foto: CRIS BOURONCLE)
Foto: CRIS BOURONCLE A police officer casts his vote at a polling station in Lima during the Peruvian presidential election on June 5, 2011. Peruvians voted Sunday in an extremely close presidential run-off between Ollanta Humala, a nationalist ex-lieutenant colonel and Keiko Fujimori, daughter of a jailed ex-strongman. AFP PHOTO/CRIS BOURONCLE

O processo político na América Latina não costuma gerar emoções maiores cá no Brasil. Às vezes percebe-se alguma notícia relacionada à Argentina, por outras razões acompanha-se mais recentemente as novidades da briga pelo poder na Venezuela, mas, em geral, dá-se pouco espaço para o que acontece nos países vizinhos em termos de disputas eleitorais.

Por isso, quase nada tem sido dito sobre o que está acontecendo no Peru, onde domingo aconteceu o primeiro turno da eleição presidencial e as apurações, que seguem, caminham para apontar um cenário surpreendente.

A começar pelo candidato que lidera a contagem de votos, Pedro Castillo, um extremista de esquerda, professor egresso do movimento sindical e que não tivera sua força de votos captada pelas pesquisas ao longo de toda a campanha de primeiro turno.

Já na reta final, quando o dia da votação se aproximava, apareceu com pontuação suficiente para se estabelecer numa sexta ou sétima posição, entre 18 candidatos, e somente então passou a ser notado pelos analistas.

Até aquele momento, coisa de um semana, no máximo dez dias, antes do domingo em que aconteceu a votação, era uma espécie de folclore político mais destacado pelas propostas esquisitas, do tipo "vou fechar o Tribunal Constitucional", correspondente do Peru ao nosso STF.

Para aumentar a surpresa, quem deve enfrentar Castillo na próxima fase é Keiko Fujimori, cujo pai vem a ser o ex-presidente Alberto Fujimori, populista de direita que comandou o país nos anos 1990/2000 e hoje, condenado, vive recolhido a uma penitenciária.

A filha, que até era considerada como uma das possibilidades de presença no segundo turno numa disputa muito fragmentada, vale-se de uma decisão judicial para fazer campanha, já que também está punida pela justiça por acusação de corrupção.

Tudo parece desenhado para que ela esteja no outro extremo da etapa final de disputa pela presidência do Peru, configurando-se um quadro que nenhuma análise de projeção conseguiu antecipar.

Para quem tenta explicar tudo que acontece hoje a partir do que as redes sociais permitem oferecer como resposta, um outro dado intrigante sobre Pedro Castillo: ele quase inexiste no mundo particular das redes sociais.

Uma pesquisa sobre seu nome mostrou que ele não está no Facebook, tinha algo como 100 seguidores no Instagram e menos de 1.000 no Twitter, ou seja, pelo padrão vigente pode-se dizer que quase inexiste.

De onde viria, então, a força do controverso Castillo? É possível dizer que das velhas formas de conquistar as pessoas na política, com uma presença forte de suas ideias no que está sendo chamado de "Peru profundo".

Há vida inteligente, possível e real, pode-se dizer, também fora do mundo animado das redes sociais. Eis a boa notícia que a história embute, dependendo de quem seja o receptor.

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