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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A crise que pede resposta real a Bolsonaro e não uma hashtag

Ofensiva nas redes sociais não bastará para que o governo enfrente a crise com as denúncias de corrupção no Ministério da Saúde com indícios de corrupção na compra de vacinas

Admita-se que um governante com menos base popular a apoiá-lo já estaria, a essa altura, em situação de sustentabilidade política muito pior do que a que apresenta o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Desde quando tomou posse, no começo de 2019, o enredo tem sido de crise permanente, uma parte disso como resultado do próprio jeito de fazer política dele e de seu grupo, no qual a tensão e a briga parecem elementos necessários. Quase um combustível.

Acontece que a situação de agora difere das outras. Bolsonaro tem podido, até então, "brincar" de paladino da moralidade e da honestidade porque os casos de malfeitos com a coisa pública que até então apareceram em seu governo pareciam situados dentro de um limite simbólico que a sociedade, anestesiada, parece absorver hoje naturalmente diante dos tantos escândalos em sequência registrados nos últimos tempos.

Não é o caso do que começa a se revelar na história das vacinas, cujo tamanho do problema assusta já na fase de largada da discussão, ainda sem que as investigações se aprofundem.

Bolsonaro não costuma oferecer boas respostas quando lançado às cordas. Em geral, suas reações meio desarticuladas, não demonstram um sentido mais organizado e denotam uma dificuldade quando o quadro posto exige que a inteligência tome lugar da força.

Eis o desafio do momento, considerando que simplesmente subir uma hashtag nas redes sociais para desviar o foco de um tema inconveniente ao governo, como é a prática de sempre, neste caso não funcionará para tirar da pauta uma negociação no Ministério da Saúde para compra de vacina permeada por dúvidas, denúncias e, já, algumas certezas que exigirão explicações muito boas para serem serem esclarecidas e, como gostaria o Planalto, superadas.

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