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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A promessa que Girão, no Senado, está cumprindo

O cearense Eduardo Girão anuncia ter devolvido mais de R$ 5 milhões até agora, em três anos de mandato, do dinheiro colocado à sua disposição para gastos com assessoria, passagens e gastos parlamentares
Brasilia em 22 de setembro de 2021, Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária semipresencial. 

Na ordem do dia, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 28/2021, que promove modificações na legislação eleitoral, e a Medida Provisória (MP) 1.050/2021, que aumenta de 10% para 12,5% a tolerância para o excesso de peso por eixo de ônibus de passageiros e de caminhões de carga sem aplicação de penalidades. Outros dois projetos na pauta tratam do marco regulatório para as ferrovias no país (PLS 261/2018), e define critérios para distribuição de sobras eleitorais em eleições proporcionais (PL 783/2021). Plenário ainda deve analisar projeto que trata do pagamento de honorários periciais e sobre requisitos da petição inicial em litígios relativos a benefícios por incapacidade (PL 3.914/2020).

Em discurso, à tribuna, senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado Brasilia em 22 de setembro de 2021, Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária semipresencial. Na ordem do dia, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 28/2021, que promove modificações na legislação eleitoral, e a Medida Provisória (MP) 1.050/2021, que aumenta de 10% para 12,5% a tolerância para o excesso de peso por eixo de ônibus de passageiros e de caminhões de carga sem aplicação de penalidades. Outros dois projetos na pauta tratam do marco regulatório para as ferrovias no país (PLS 261/2018), e define critérios para distribuição de sobras eleitorais em eleições proporcionais (PL 783/2021). Plenário ainda deve analisar projeto que trata do pagamento de honorários periciais e sobre requisitos da petição inicial em litígios relativos a benefícios por incapacidade (PL 3.914/2020). Em discurso, à tribuna, senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O nosso olhar sobre a política, e os políticos, termina por ser muito influenciado pelas más práticas que, infelizmente, é verdade, predominam. Um erro de avaliação que comete o jornalismo e que termina por ajudar bastante na configuração de uma imagem ruim dos homens públicos espalhados pelas instâncias diversas de uma estrutura de Estado que os impostos do cidadão ajudam a sustentar. E o Congresso, pelo grau de transparência maior, termina se apresentando como a primeira e principal vítima.

Dito isso, e até como forma de driblar essa distorção, vale um registro positivo de uma atitude diferente que tem sido adotada pelo senador cearense Eduardo Girão (Podemos), em seu primeiro mandato. É importante observar o cuidado que demonstra ao gastar com suas atividades parlamentares respeitando o fato de ser um dinheiro originário do suor de cada um, dos tributos que pagamos como cidadãos.

Sim, poderia ser o normal dos que estão na vida pública, mas, infelizmente, é caso raro o suficiente para merecer que o destaquemos.

No balanço financeiro que Girão está apresentando sobre os seus primeiros três anos de Senado, entre 2019 e 2021, registra-se uma economia acumulada de R$ 5.159.684,42, recursos colocados à disposição pela mesa diretora para despesas com o mandato na forma dos tais "gastos parlamentares" e, segundo informa, devolvido aos cofres públicos.

Dinheiro que se pode gastar com assessoria, com passagens aéreas e outras despesas lançadas numa rubrica de conceito aberto o suficiente para fazer caber atividades nem sempre vinculadas diretamente ao cotidiano de um congressista.

Na campanha, de fato, Girão anunciava que, eleito, teria um gabinete enxuto e que seria parcimonioso no uso de regalias oferecidas aos parlamentares. Os números indicam que o compromisso está sendo respeitado e o resultado apenas do ano passado, por exemplo, é uma economia expressiva de R$ 1,5 milhão, valor que faz diferença num momento em que os gastos públicos precisam ser otimizados em direção aos esforços de combate à pandemia, por exemplo.

Aliás, tema sobre o qual o senador cearense tem adotado posturas bastante questionáveis, algumas delas no limite do negacionismo, mas, como dito, a ideia aqui é ressaltar o que representou de novidade positiva sua entrada recente na política.

Eduardo Girão, que tem ainda mais cinco anos do atual mandato, garante que vai continuar na mesma tocada de respeito ao dinheiro público, fazendo uso apenas do que for estritamente necessário.

Aliás, até pretende melhorar a ideia através de um projeto seu tramitando no Senado que prevê a criação do Fundo das Economias Parlamentares, possibilitando que o dinheiro economizado seja revertido para áreas como saúde, educação e segurança pública, por exemplo.

Hoje, os recursos não utilizados são simplesmente devolvidos ao comando do Congresso, que somente pode destiná-lo a atividades vinculadas ao poder, limitando o seu alcance. É um bom tema para debate.

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