
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
A democracia institucional na América Latina anda precisando de um choque de ordem. Algo que parta de uma autocrítica dos seus próprios agentes, não se trata de apelar por uma ação de força, mas de refletir sobre alguns eventos que têm acontecido e que não guardam relação com o que se poderia chamar de normalidade. Há dois exemplos preocupantes observados nas últimas horas, um na Argentina e outro no México.
Primeiro, aqui mais perto do Brasil, tivemos o ataque a uma caravana liderada pelo presidente Javier Milei, quase que atingido por pedradas lançadas contra o veículo no qual se deslocava em visita a uma cidade próxima a Buenos Aires. Era um ato de campanha, porque o país está mobilizado para renovação breve de parte do Congresso, e o clima anda quente também pela denúncia, em apuração no momento, de corrupção no governo envolvendo a irmã de Milei, Karina, figura influente.
O discurso de Milei é agressivo, forte, desrespeitoso o tempo todo com os adversários, mas isso não justifica o uso de violência como resposta, se for este o caso. Faltou pouco para uma daquelas pedras, algumas bem grandes, atingirem o presidente ou alguém ao lado dele, certamente causando fortes danos físicos. Isso não é política!
Mais distante geograficamente de nós, no México, o presidente do Senado, Gerardo Fernandes Noroña, aliado da presidente Claudia Sheinbaum, foi fisicamente agredido em plenário por um colega de parlamento, Alejandro "Alito" Moreno, que comanda o principal partido de oposição, PRI, devido a um desentendimento sobre procedimentos regimentais durante a votação de uma matéria importante.
Para se ter uma ideia do momento político grave que vivemos, e de como as situações muitas vezes conversam entre si, de um país ao outro, estava em análise pelo parlamento uma proposta oposicionista que autorizava as Forças Armadas dos Estados Unidos a atuarem em território mexicano no combate ao narcotráfico. O princípio que levou o bloco governista a rejeitar a esdrúxula proposta foi a defesa da soberania, termo que também anda circulando com destaque no ambiente político brasileiro.
Um aspecto importante dos dois eventos violentos, tanto o argentino quanto o mexicano, é que envolvem lideranças de alinhamentos políticos diversos. Milei é um extremista de direita, assumidamente, enquanto Noroña coloca-se numa linha de esquerda, ou seja, não é questão ideológica no sentido político-partidário.
Há, em ambos os lados, gente despreparada para fazer a disputa da sociedade valendo-se apenas dos argumentos, restando àqueles que realmente prezam a democracia que se unam, acima das divergências, para defendê-la. Enquanto ainda há tempo para isso.
A política do Ceará e do Brasil como ela é. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.