Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Acompanho o noticiário desde a hora em que acordei assustado com a informação de que forças militares dos Estados Unidos haviam invadido o território venezuelano e, em operação secreta, levado consigo o presidente Nicolás Maduro, além de sua mulher. Não precisa ser amigo do controverso líder para concluir que foi uma agressão à soberania de um país, goste-se ou não de quem o governa.
Há uma parcela extremada da política, pela direita, que se sabia de antemão que correria a aplaudir a atitude do governo de Donald Trump pela compreensão limitada de que, afinal, do outro lado estava um progressista, socialista ou que mais de depreciativo (na visão deles) caracterize o confuso presidente venezuelano.
O que acontece é que a ideologia não está no fundamento da decisão da Casa Branca, ditada, na verdade, apenas pelo interesse econômico dos Estados Unidos que, precisamos lembrar, nem sempre são os mesmos nossos. E, independente de quem seja o presidente do Brasil, com alguma frequência há um choque de prioridades, parecendo pouco inteligente que se respalde uma ação violenta de um Estado contra o outro apenas por atender razões ideológicas.
Até porque, reconheçamos, é muito mal contada a história da ordem de captura emitida pela justiça norte-americana contra Maduro pela acusação de integrar um grupo de narcotráfico (liderá-lo, na verdade). O correto a fazer seria submeter a situação aos fóruns e organismos internacionais, buscar os caminhos que o mundo institucionalizado aponta e, nesse caso sim, exercer a pressão necessária para que os esclarecimentos sejam apresentados. O que se fez está fora de qualquer padrão civilizatório respeitável.
O que preocupa mais na repercussão brasileira ao evento dessa madrugada na Venezuela é a reação de gente da, chamada, direita moderada. Políticos que poderiam fazer uma reflexão mais profunda, mantendo suas críticas a Maduro e tudo que ele representa, mas, infelizmente, parecem estar optando por surfar na onda da insensatez.
Há dois exemplos citáveis de políticos conservadores que movimentam-se hoje tentando viabilizar candidatura presidencial com esse perfil de quem pode agradar uma parcela dos radicais, pelo antipetismo que encarnam, mas, ao mesmo tempo, guardando algum respeito à institucionalidade, aspecto que mais incomoda no modo bolsonarista. Os exemplos citáveis? Ratinho Júnior (PSD) e Ronado Caiado (União Brasil), governadores, respectivamente, do Paraná e de Goiás.
Ratinho e Caiado foram às redes sociais "comemorar" a prisão de Nicolás Maduro, desconsiderando as condições inaceitáveis, sob o ponto de vista do direito internacional, em que aconteceram. O que permite concluir que nenhum dos dois parece preparado para lidar com algo que diz respeito à cartilha básica de quem venha a ocupar o posto de presidente da República: defender a soberania nacional. É disso que se trata.
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