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A caminhada de André Fernandes e Nikolas Ferreira rumo ao nada
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A caminhada de André Fernandes e Nikolas Ferreira rumo ao nada

Nikolas e André talvez sejam os melhores expoentes do que simboliza de novidade política a entrada em cena do bolsonarismo com seus métodos diferentes para se fazer prevalecer no debate. Sempre através de gestos espalhafatosos, tanto quanto inócuos
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O deputado federal André Fernandes se juntou ao deputado federal Nikolas Ferreira em uma caminhada de mais de 200 quilômetros em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Instagram @andrefernandes)
Foto: Reprodução/Instagram @andrefernandes O deputado federal André Fernandes se juntou ao deputado federal Nikolas Ferreira em uma caminhada de mais de 200 quilômetros em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

Os empolgados hão de desculpar, mas a tal caminhada que um grupo de políticos está fazendo nos últimos dias, saindo de Paracatu, em Minas Gerais, rumo a Brasília, trajeto calculado em 240 km, é uma das ações políticas mais sem sentido que já vi alguém fazer, sozinho ou coletivamente. A ideia é do deputado federal mineiro Nikolas Ferreira e, segundo consta, o primeiro parlamentar a se incorporar ao movimento foi o cearense André Fernandes, o que não surpreende. Ambos, lembremos, do PL.

Nikolas e André talvez sejam os melhores expoentes do que simboliza de novidade política a entrada em cena do bolsonarismo com seus métodos diferentes para se fazer prevalecer no debate. É sempre através de um gesto espalhafatoso, que renda mil coisas, permita muito barulho, inclusive aquele feito por incautos adversários que povoam as redes sociais achando que ganham ridicularizando a ação, mas, no frigir dos novos, nada fica de consistente. Porque, inclusive, o que se busca não é a consistência.

Talvez até este texto indique uma certa inocência do autor porque, afinal, alimenta a discussão e de alguma forma ajuda no alcance pretendido pelos organizadores da, chamada, "Marcha pela Liberdade". Como não sou adversário dos políticos em questão, mas crítico deles, no sentido negativo ou positivo do termo, seguirei com a minha queixa quanto à falta de seriedade das coisas que propõem os citados rostos novos da política brasileira. Em quase tudo que fazem.

André Fernandes até saiu da campanha de 2024 sob a expectativa de que o teríamos num novo plano, realmente focado nos problemas da cidade, do Estado ou do País, mais disposto a fazer um debate profundo e consequente acerca das aflições reais que incomodam ao cidadão no seu cotidiano. Afinal, demonstrara-se capaz disso quando se apresentou como candidato à prefeitura, discutindo problemas, dando sua ideia do que entendia ser a solução, tratando as coisas com a seriedade que se espera de um político, tenha ele quantos anos for.

O protagonismo que decidiu assumir na bufonaria da vez, porém, mostra que o comportamento daquele momento tinha a ver com aquele momento e com seu interesse eleitoral. O fato é que temos um político no sétimo ano de dois mandatos populares, um como deputado estadual e outro como federal, que não será capaz de apresentar uma só ação sua que tenha como objetivo real melhorar a vida das pessoas. Dentro, claro, dos limites de competência de quem está no parlamento, não se cobra dele mais do que seja capaz de oferecer.

Ao juntar-se a Nikolas Ferreira nesse gesto vazio e cansativo de tentar ocupar a agenda política do país por uma semana com uma bobagem que se sabe não ter qualquer objetivo prático a buscar, André Fernandes mostra que continua o mesmo de sempre. Pela forma como a coisa acontece nos tenebrosos dias atuais, talvez isso lhe dê a certeza de uma votação expressiva em 2026 num projeto de reeleição, mas, cabe uma reflexão, pode ser insuficiente quando se olha para o futuro vislumbrando voos mais altos. É quando há necessidade de ir além da bolha e se percebe que a maioria das pessoas no mundo real interpreta coisas como essa caminhada com a importância que ela realmente tem. Ou seja, nenhuma.

Foto do Guálter George

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