Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
A bancada cearense no Congresso deixou uma impressão interessante como rescaldo da importante votação que aconteceu na semana na Câmara e no Senado. Contados todos os nossos deputados e senadores que participaram da votação, registrou-se uma unanimidade pela aprovação da medida provisória do governo Lula que cria o programa Gás do Povo, de largo alcance social. E olhe que há, ai, muita gente da oposição radical envolvida.
Entre os deputados, 29 oposicionistas optaram por rejeitar a proposta, considerando mais a perspectiva de ganho político que podem ter Lula e seu governo com a medida do que o seu efeito benéfico para as 15 milhões de famílias potencialmente beneficiadas. Nenhum deles representava eleitores cearenses, repita-se, num sinal interessante de capacidade de separar uma coisa da outra que os nossos parlamentares apresentaram.
Em especial no caso de André Fernandes, do PL, aquele jovem que tenta nos últimos tempos demonstrar que o avançar da idade lhe tem trazido alguma maturidade como ganho. A postura dele contrária à de muitos dos seus colegas de bancada partidária, evitando agir com o fígado, talvez expresse algo nesse sentido porque é uma situação que exige cálculo político e, ainda mais, eleitoral. O que parece é que ele o fez.
Chegara à análise do plenário da Câmara uma matéria de alcance social indiscutível e parecia muito baixo, como de fato era, o risco de o governo computar mais uma derrota na Casa. Portanto, votar contra representaria apenas se submeter a comprar um desgaste que, depois, geraria a necessidade de dar explicações para uma postura que uma disputa política não justifica. É, parece, o que levou André à postura racional que adotou.
É só ver a encalacrada na qual se meteu Nikolas Ferreira, o festejado deputado do PL, de Minas Gerais, que, chamado a explicar o voto contra a MP, afirmou, numa simplicidade que não convence, preferir o modelo anterior, da época do governo de Jair Bolsonaro. Na versão dele, melhor porque o dinheiro ia direto para a conta dos beneficiados, oferecendo-lhes o direito de escolher onde comprar o gás. Em determinadas situações, imagina-se, até se era o caso de comprar mesmo o gás ou desviar a verba para outra finalidade mais prazerosa do ponto de vista pessoal.
Nikolas aponta defeitos numa evidente mudança para melhor no programa, no ponto em que as famílias recebem um crédito e ficam obrigadas a procurar revendas autorizadas para serem beneficiadas, o que certamente reduzirá os desvios de finalidade no uso real do dinheiro. Ou seja, vai atrás de um argumento muito ruim para justificar uma atitude que parece fruto de sua cegueira política, por acreditar que ser oposição é ser necessariamente contra, independente da qualidade da iniciativa adotada por quem está do lado contrário.
Aliás, antes do ponto final vale um registro a mais: os 22 votos dos deputados cearenses na Câmara foram pelo "sim" à proposta do governo, 100% da bancada. Lembrando-se ainda, para finalizar de verdade, que no Senado a aprovação deu-se de maneira simbólica.
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