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O voluntarismo de Ciro é bem vindo, mas insuficiente
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

O voluntarismo de Ciro é bem vindo, mas insuficiente

Considero impossível que a declaração seja resultado das conversas que, se diz, ele tem mantido com especialistas em segurança pública na busca de caminhos que apontem uma saída para o quadro atual, de fato, insuportável
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Ciro Gomes em agenda em Juazeiro do Norte, no Cariri  (Foto: Yago Pontes/O POVO CBN Cariri)
Foto: Yago Pontes/O POVO CBN Cariri Ciro Gomes em agenda em Juazeiro do Norte, no Cariri

Em meio a toda aquela conversa de que juízo e emoção brigam em torno da ideia de ser candidato ao governo do Ceará, dando a entender que ainda não tomou uma decisão quanto ao assunto, Ciro Gomes, no discurso que fez em Juazeiro do Norte, no sábado, sugeriu, no contexto em que criticava a política da gestão atual sobre o assunto, que lhe sendo dado o privilégio de estar sentado por um dia na cadeira de despachos do Palácio da Abolição iria "enfrentar as facções". Vou entender o termo "enfrentar", na aplicação proposta na fala, como "resolver" e a partir disso fazer minhas reflexões.

Consta que Ciro tem focado muito fortemente no tema da segurança pública em seus estudos sobre a realidade cearense e, se candidato, lançará uma atenção especial na direção dele. No entanto, considero impossível que a declaração seja resultado de sua conversa com especialistas na busca de caminhos para se encontrar uma saída para o quadro atual, de fato, insuportável.

É muito pouco provável, insistirei, que os policiais, acadêmicos, políticos, empresários e outras pessoas com as quais o tucano (sim, ele recém voltou ao PSDB, para quem não foi avisado) conversou no esforço de entender o cenário, tenha sugerido que a solução será o candidato a governador posar de herói ou xerife diante da sociedade cearense. Ciro fala bem, é incisivo, concatena as ideias de maneira compreensível, demonstra-se convincente em muita coisa que diz, mas, apesar disso tudo, não vencerá o crime organizado com discurso.

A oposição da qual Ciro faz parte e que naturalmente tem explorado as estatísticas ruins que o Ceará apresenta, optando por ignorar de maneira absoluta que elas fazem parte de um contexto nacional que deveria ser observado, precisará apresentar na campanha um plano que aponte o que faria (ou fará) de diferente instalando-se no poder. É dificil imaginar que o esforço de convencimento do eleitor esteja resumido a oferecer um super-herói que precisará apenas de um grito para vencer o crime com o nível de organização que ele ostenta nos dias atuais.

Quando alguém diz que precisa de apenas 24 horas para "enfrentar" - no sentido que entendi de "resolver" - uma crise com a dimensão da que temos hoje no Ceará, pela presença de forças muito bem articuladas pelo lado dos malfeitores, não se pode dizer que esteja dimensionando-a com a seriedade devida. Ou, em respeito à inegável inteligência de quem já demonstrou tê-la em sua longa vida pública, responsabilidade necessária.

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