Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Fosse eu presidente da República (algo que nunca serei, podem ficar tranquilos) e uma escola de samba me procurasse sugerindo uma homenagem na forma de enredo, em ano eleitoral, teria uma resposta pronta: 'não, não convém'. Seria fácil calcular previamente que o sentido honesto e bem-intencionado da iniciativa enfrentaria, no meio do caminho, uma deturpação ligada ao interesse negativo de adversários de buscarem tirar proveito político-eleitoral. Ou seja, aconteceria o que tem sido registrado desde quando a história surgiu e que, com certeza, sinaliza de maneira clara para judicialização do processo eleitoral de 2026.
Traduzindo, o presidente Lula deveria ter, com a delicadeza que o caso requer, respondido que o momento não era conveniente quando apresentada a ele, quase um ano atrás, a ideia de sua história pessoal ser retratada como tema do desfile da Acadêmicos de Niterói, na elite das escolas de samba do Rio de Janeiro. Seria o caso de, na oportunidade, sugerir que o gesto de reconhecimento à sua importância ficasse para um momento posterior, talvez o carnaval de 2027, mesmo que eventualmente estivesse fora do cargo, o que talvez até lhe desse ainda mais consistência e legitimidade.
A coluna traz o assunto e coloca sua opinião sobre ele, para, no entanto, abordá-lo sob outra perspectiva. Há um grupo político que torra a paciência de todo mundo, nos últimos tempos, na defesa da liberdade de expressão e de opinião como algo de valor absoluto. Uma visão alargada, que faria entender como natural o fato de pessoas irem às ruas com cartazes pedindo explicitamente um golpe na democracia (intervenção militar ou o que valha), que aceitaria a depredação de prédios que sediam poderes da República como reação de inconformismo a uma derrota nas urnas ou que aprovaria o uso de redes sociais para ameaçar figuras públicas ou políticos de quem não se gosta. É um conceito de liberdade aplicado a um extremo facilmente confundível com a prática de crime.
Pois bem, parte destes libertários sem limite colocam, agora, suas vozes, canetas, teclados, microfones, plataformas noticiosas e até mandatos populares à disposição de um movimento que tenta pela via judicial, veja só, impedir a escola de fazer seu desfile. O nome disso é "censura", aqui neste caso de maneira clara e que não exige qualquer esforço interpretativo enviesado, como se dá na luta que eles próprios travam para transformar em exercício democrático ataques recorrentes e rebaixados às instituições e às autoridades instituídas do País. Ataques, aqui, no sentido literal em muitas das ações concretas postas em prática nos últimos anos.
Vejamos o caso da senadora Damares Alves (PL-DF), que vive a falar na existência de uma ditadura no Brasil, que reclama de falta de liberdade diante da ação vigilante do Judiciário etc etc, mas, agora, uma das autoras de ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual se pedia que a escola fosse proibida de desfilar com a homenagem ao presidente da República, politicamente equivocada que seja. Ainda bem, segundo considero, que a decisão unânime dos ministros foi pelo direito da agremiação fazer seu desfile, neste caso, sim, valendo-se daquilo que o ambiente democrático lhe deve garantir.
Ser coerente nunca foi a maior virtude da parlamentar ou grupo ao qual ela está atrelada, mas, acho, se poderia esperar pelo menos mais respeito à inteligência alheia.
Ciro Gomes (PSDB) não tinha intenção nesse sentido, mas o certo é que acalmou muita gente no lado governista com sua declaração taxativa, na passagem pelo Cariri, sobre a possibilidade de reaproximação entre ele e o irmão, senador Cid Gomes (PSB). Nas suas próprias palavras, a relação está no campo do "inconciliável". Ou seja, as chances do bloco de situação perder uma de suas lideranças mais importante parecem mesmo bastante reduzidas a essa altura, informação importante para o cálculo de muitos na fase de escolha do lado para onde se deve pular num contexto não muito claro sobre o futuro, que é o que temos hoje no Ceará. Cid será um balizador fundamental e seus passos estão sendo acompanhados com atenção.
Eduardo Girão (Novo) continua firme na organização do calendário de apresentação de sua pré-candidatura ao eleitor cearense. Feliz com o balanço do que aconteceu no Cariri, onde realizou evento político dia 30 de janeiro, que considera positivo apesar da ausência frustrante do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), o senador e pré-candidato ao governo do Ceará anuncia para o próximo dia 14 de março a chegada de sua caravana a Sobral, na região Norte. Detalhe a destacar é que se trata da área de influência dos Ferreira Gomes, num contexto em que ele continua recusando qualquer gesto de aproximação, para já, com o irmão mais velho, Ciro, que se aliou a antigos adversários, incluindo bolsonaristas, num esforço de montar uma aliança capaz de derrotar o PT no Estado. Girão garante que resiste até o fim do primeiro turno, pelo menos, às investidas para viabilizar uma frente mais ampla no enfrentamento ao petismo local. A questão é que lhe falta confiança no novo aliado, que talvez possa adquirir numa etapa seguinte, se for o caso, e ele continua alegando ser a única opção real de direita para 2026.
A coluna da semana passada fez uma analogia meio descompromissada entre a sombra que Camilo Santana faz hoje sobre o governador Elmano de Freitas, quanto à perspectiva eleitoral, e aquela que Roberto Cláudio - involuntariamente, também - representava para José Sarto. Com os resultados que todos sabemos na disputa pela prefeitura de Fortaleza em 2024. O secretário estadual da Casa Civil, Chagas Vieira, disse à coluna considerar a comparação inapropriada ao destacar que o atual governador, segundo as pesquisas, apresenta aprovação de 65%, índice que, destaca ele, no caso de Sarto dizia respeito ao seu nível de desaprovação. Está dito.
Justíssima a homenagem que a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional cearense, aprovou na semana com a criação da Medalha Benedito Bezerril. Sugerida por Hélio Leitão, na condição de membro vitalício, ex-presidente que é, a comenda reconhecerá a importância de advogados e advogadas com carreira dedicada exclusiva e destacadamente à defesa dos trabalhadores e dos movimentos sociais. A proposta aprovada na última quinta-feira, com parecer e voto favoráveis da relatora Cassandra Arcoverde, prevê que a homenagem aconteça preferencialmente no mês de maio e que as indicações dos homenageados devem ser feitas pela presidência da OAB ou qualquer conselheiro, cabendo ao Conselho Pleno referendá-las. Muito feliz com o acolhimento de sua ideia, Hélio Leitão considera que ela eternizará "a trajetória do Benedito Bezerril, profissional que fez da vida um compromisso inegociável com a classe trabalhadora". Ele, inclusive, já indicou Jane Calixto, vice-presidente da Escola Superior de Advocacia do Ceará (ESA-CE) e presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Ceará (Atrace), para receber a comenda em 2026.
A POLÍTICA NA HORIZONTAL
Abílio Brunini (PL), aquela figura que quando deputado federal envergonhava diariamente com seu comportamento inadequado na Câmara, algo que (sinal dos tempos) lhe rendeu como prêmio a eleição como prefeito de Cuiabá em 2024, segue destacando-se pela capacidade de ser ridículo.
Cobrado pela péssima situação nas ruas da cidade que administra, cheias de buracos, responsabilizou o... Bolsa Família. O prefeito não consegue dar conta do básico de suas tarefas e tenta se safar culpando quem ganha R$ 690,00 por mês. Sua tese, que muitos encampam, inclusive, é que o programa está desestimulando as pessoas a trabalhar. Chega a ser cruel.
Júnior Mano (PSB) promete circular pelo Ceará durante os quatro dias de Carnaval, em ritmo de pré-campanha, passando por municípios administrados por prefeitos aliados. Até uma forma eficiente de mostrar que o projeto de disputa do Senado continua de pé, apesar das muitas especulações, que cresceram nos últimos dias, de que estaria sendo rifado da chapa governista.
Recentemente, precisou, de novo, que o padrinho principal de sua postulação, o próprio Cid Gomes (PSB), que tende a abrir mão de uma reeleição bem encaminhada, caísse em campo para reforçar o apoio e falar grosso contra quem, dentro da aliança, sugerir mudança nos planos.
Giovanni Sampaio, diretor do Hospital Regional do Cariri, é alvo frequente de ataques de Ciro Gomes, naquela linha gratuitamente agressiva que tem sua marca. Até não se sabe bem porque ele (Ciro) sempre demonstra tanto interesse com alguém, pode-se dizer, localizado na periferia do poder, que sequer ocupa um cargo de grande visibilidade.
Chamado de "doidinho" e "percevejozinho" dentre outras, ele promete uma ofensiva jurídica como resposta às agressões e, para isso, já montou um time pesado de advogados. Vai ter que entrar numa fila porque o que não falta é gente buscando reparação por ataques pessoais desferidos pelo pré-candidato.
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