Foto de Guilherme Ashara
clique para exibir bio do colunista

Psicoterapeuta sistêmico com especialização em Psicologia Transpessoal e Psicoterapia Somática Integrada. Viveu na Índia onde se aprofundou em diversas abordagens terapêuticas e de meditação. Fez cursos e supervisão em Constelação Familiar com Bert e Sophie Hellinger e foi o introdutor da Constelação no Ceará; Ashara atende individualmente e ministra cursos de formação em Constelação em diversas cidades do Brasil. Veja mais: www.ashara.com.br

Guilherme Ashara comportamento

Como você lida com as suas emoções?

As emoções têm seus mistérios. Cada um de nós encontra uma forma de lidar com elas, mas será que compreendemos nossas emoções? O terapeuta Guilherme Ashara começa hoje uma jornada que pode levar o leitor a reconhecer a linguagem das emoções.
Tipo Análise
As emoções tem sua própria linguagem (Foto: Weslley Gamberine)
Foto: Weslley Gamberine As emoções tem sua própria linguagem

 

As emoções podem ser as verdadeiras responsáveis pelo nosso sucesso ou fracasso na vida. Nesses mais de 36 anos trabalhando com o campo emocional, uma das questões mais recorrentes é que pouca gente sabe como tratar as emoções.

Quase ninguém sabe como lidar conscientemente com o mundo emocional. As pessoas normalmente querem apagar, controlar ou amortecer suas emoções, sem saber que tentando isso as emoções vão ficar mais carregadas e podem até explodir em alguns momentos de raiva ou de ira. Ou se for um medo, ele pode implodir se tornando uma depressão.

Outros sintomas do trauma emocional são: dificuldade para dormir, estresse, irritação, depressão e todas as consequências advindas disso, como dificuldade no trabalho, relacionamentos insatisfatórios e problemas de saúde.

Então, Ashara, o que fazer para equilibrar as emoções?

O primeiro passo é compreender que não se pode excluir nem apagar as emoções. Vamos tomar o exemplo da raiva. Você é uma pessoa raivosa? Faça essa uma reflexão agora e responda pra si mesma como você percebe e reage ao sentimento de raiva. Existem dois tipos de pessoas raivosas: a primeira, que explode e mostra o ‘monstro’ que existe dentro; e outra que esconde a raiva e normalmente se vitimiza. Geralmente o segundo tipo é mais bem aceito pela sociedade. Porém, essa raiva contida e controlada vai minando o sistema de defesa dessa pessoa e ela vai acabar explodindo quando algum gatilho se fizer presente.

Um exemplo recente que podemos citar é o caso da ginasta e medalhista olímpica Simone Biles que sentindo toda a pressão para se manter no topo da ginástica olímpica colapsou, desistindo de algumas provas.

E o que é um gatilho emocional? É qualquer situação ou pessoa que dispara a nossa ferida emocional, o nosso trauma.

Durante os primeiros sete anos de nossa vida somos basicamente emoção. O que quer que aconteça nesse período de nossas vida, como uma briga ou mesmo uma separação dos nossos pais, a morte de um ente querido, um acidente com feridos ou mortos pode gerar um trauma e esse choque fica marcado como uma ferida ou carga emocional.

Na infância não somos capazes de olhar para essa ferida. O que fazemos é tentar escondê-la; e essa carga emocional fica retida no nosso inconsciente. Logo na infância aprendemos a sedar ou controlar essa carga porque não fomos ensinados a lidar, curar e integrar essa ferida emocional.

"As emoções uma hora ou outra se ‘vingam’ e destroem aquilo que tentamos construir, seja um projeto de vida, um negócio, uma profissão ou um relacionamento." Guilherme Ashara, terapeuta

Nossos pais e a sociedade nos ensinam a não dar muita bola para nossas emoções, dizendo, por exemplo, “você precisa esquecer isso e seguir com sua vida em frente”, “isso não foi nada”, “você precisa aprender a controlar a sua raiva” ou conselhos semelhantes.

Então, não olhar para as emoções, tentar controlar ou sedar com drogas ou medicamentos é a pior escolha. As emoções uma hora ou outra se ‘vingam’ e destroem aquilo que tentamos construir, seja um projeto de vida, um negócio, uma profissão ou um relacionamento.

Nessa série de artigos sobre o mundo das emoções pretendo dar dicas de como curar as feridas, traumas ou cargas emocionais. Nesse momento, eu enfatizaria simplesmente que é importante que aprendamos a olhar para nossa criança emocional. Uma criança que sofreu algum choque, abuso, violência e que continua dentro de nós clamando para ser vista e acolhida.

Aguarde os próximos artigos para aprender o passo a passo de como tratar suas emoções. Garanto que sua vida vai ficar muito mais rica e preenchida quando você aprender a integrar esse tesouro que é o nosso mundo emocional.

Namastê!

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais