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PL e Psol se unem contra projeto de Evandro de desafetação na Beira Mar
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Guilherme Gonsalves escreve sobre política cearense com foco nas atuações Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), mostrando os seus bastidores desdobramentos no jogo político e da vida do cidadão. Repórter de Política do O POVO, setorista do Poder Legislativo, comentarista e analista. Participou do programa Novos Talentos passando pelas editorias de Audiência e Distribuição e Economia, além de Política. Também escreve sobre cinema para o Vida&Arte

PL e Psol se unem contra projeto de Evandro de desafetação na Beira Mar

Partidos antagonistas em debates ideológicos se posicionaram da mesma maneira, contra a proposição do prefeito de Fortaleza por venda de valores de áreas consideradas prestigiadas
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Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) (Foto: Érika Fonseca/CMFor)
Foto: Érika Fonseca/CMFor Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor)

Os vereadores do Psol e PL se uniram nesta quarta-feira, 11, para votar contra um projeto enviado pelo prefeito Evandro Leitão (PT) que prevê desafetação e venda de dois terrenos públicos para condomínios de luxo no bairro Mucuripe na avenida Beira Mar, como mostra a repórter Alexia Vieira.

A proposta foi aprovada em discussão única por 29 votos favoráveis. Os dois parlamentares do Psol —  Adriana Gerônimo e Gabriel Biologia — e a banca do PL — Bella Carmelo, Inspetor Alberto, Julierme Sena, Marcelo Mendes e Priscila Costa — foram contrários. Jorge Pinheiro (PSDB), PPCell (PDT) e Soldado Noélio (União Brasil) também votaram "não" ao projeto encaminhado pelo prefeito.

Os imóveis fazem parte da poligonal original do Parque Arquiteto Otacílio Teixeira Neto, conhecido como Parque Bisão. Porém, há duas décadas estão ocupados pelos condomínios Veleiros e Ocean Palace. Laudos técnicos da Secretaria da Infraestrutura (Seinf) avaliaram os terrenos de 821,43 m² em R$ 530 mil.

Com a desafetação, a Prefeitura pode mudar a classificação de um bem público e transferi-lo à iniciativa privada, por meio da chamada alienação, o que pode abrir espaço para arrecadação pelo Município.

Um dos pontos das críticas dos vereadores que votaram contra o projeto se dá pelo valor, que segundo alguns, foi vendido "a preço de banana", como disse Gabriel, em uma área valorizada como a Beira Mar. Julierme, inclusive levou um cacho de bananas durante a discussão do projeto. Jorge Pinheiro justificou o voto por declarar que o metro quadrado não corresponde ao preço comercial da região.

"Opostos que se tocam"

"Não sou contra desafetação não, que fique registrado nos anais da Casa, mas eu sou contra é esse valor vergonhoso que é uma palhaçada a preço de banana pra gente que tem dinheiro pra pagar", afirmou Adriana Gerônimo.

Bruno Mesquita (PSD), líder do governo Evandro na CMFor, rebateu, mas inicialmente dando os parabéns ao pronunciamento da colega vereadora. Ele destacou que não haverá prejuízo de área verde e a Prefeitura de Fortaleza busca reduzir danos de anos de ocupação.

"Ela (Adriana) falou que desafetar como foi feito não está errado, e de fato não está. Há 22 anos essa área é ocupada e elas não têm nenhum prejuízo urbanístico para a cidade, não tá tirando nenhuma área que mexa com a parte verde da cidade (...) A gente tá tentando reduzir os danos da Prefeitura, tá tendo uma rentabilidade", disse.

Marcelo Mendes, por sua vez, lembrou do dito segundo o qual os "opostos se tocam", afirmando que tanto Adriana como Bruno estão certos em se posicionarem, mesmo que com votos distintos.

"A cultura popular diz que os 'opostos se tocam' e olhe como ela é verdadeira e curiosa. A vereadora Adriana Gerônimo votando 'não' está certa. E o líder do governo votando 'sim', também está certo. Ambos conseguiram votar distintamente e os dois estão corretos", declarou.

Porém, Marcelo criticou os valores ressarcidos para a Prefeitura apontando que a ocupação de décadas dará prejuízo ao tesouro municipal ao se colocar em consideração o preço de áreas próximo à avenida Beira Mar.

"Tá certa a Adriana ao dizer que, em tese, ela não é contra o instituto da apropriação, como não se é em tese contra nenhum instituto. (...) Agora, pagar R$ 500 mil em 800 metros quadrados naquela área, na verdade a Prefeitura não está, como se disse aqui, está trazendo recursos para o seu Tesouro, está trazendo prejuízo. Eu votaria sim se esse projeto estivesse pagando 10 mil, 11 mil, 12 mil, 13 mil, 14 mil, 15 mil por metro quadrado", disse.

Foto do Guilherme Gonsalves

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