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Advogado, pós-graduado em Processo Penal e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (Unifor). É professor do Centro Universitário Estácio/Ceará e da Universidade Sete de Setembro (Uni7). Fundador do escritório Hélio Leitão e Pragmácio Advogados

Eleições na OAB

Tipo Opinião

Passadas as eleições para renovação dos mandatos dos atuais dirigentes da seção cearense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), período em que se dá natural acirramento de ânimos, já arrefecidos, espero, permito-me fazer aqui, agora a sangue frio, algumas poucas reflexões sobre a disputa encerrada a 17 de novembro, as quais devem ser recebidas, é o que rogo sinceramente aos leitores, com todas as reservas, dada a minha condição de candidato no pleito.

Não irei descer à análise das propostas e da capacidade de gestão e de articulação dos que submeteram seus nomes ao escrutínio das urnas. A minha opção por figurar na chapa do colega Erinaldo Dantas, sagrada vitoriosa por larga maioria de votos, como candidato ao Conselho Federal, já é indicativo manifesto de minha opinião.

A reflexão que julgo oportuno fazer é de outra natureza. A meu ver uma das lições que se podem extrair das urnas diz com o repúdio a campanhas eleitorais cuja tônica é a ofensa, o insulto e o assassinato de reputações.

A advocacia é profissão gravada com pesada hipoteca social. Seu exercício é essencial à realização da justiça, por expressa disposição do artigo 133 da Constituição Federal. Tem, ainda, uma tradição histórica de lutas em defesa das liberdades e da democracia por honrar. É de todos conhecida a importância do papel desempenhado pela advocacia ao longo da vida nacional, já desde o Brasil imperial. A Ordem dos Advogados do Brasil, quase nonagenária aqui no Estado, tem finalidades que vão muito além dos lindes das atribuições de cariz corporativo.

Cabe a ela concorrer para a afirmação e defesa dos direitos humanos, da justiça social, para o aperfeiçoamento do ensino jurídico e das instituições jurídico-políticas do país. Por tudo isso, exercer a advocacia e dirigir a nossa entidade de classe exigem um comprometimento ético compatível com as responsabilidades que lhes são próprias.

É de se esperar, pois, que os debates que se dão no seio da classe sejam pautados pela lealdade e respeito. Por óbvio que críticas e divergências sempre existirão e é bom que haja, pois na dissensão, no entrechoque dialético de ideias, qualifica-se o processo decisório. E a advocacia sabe muito bem lidar com isso, afinal o exercício do contraditório é inerente à atividade profissional. Somos todos forja dos para o debate franco e apaixonado.

Aqui, todavia, cuida-se de coisa diversa. O que a classe repeliu muito claramente foi a agressão, o ataque pessoal, o apregoamento de inverdades como se notícias acabadas fossem.

Mark Twain, autor do antológico Memórias de Tom Sawyer e de Huckleberry Finn, livros que embalaram minha imaginação infantil, já advertia para o poder destruidor da mentira. Dizia o escritor estadunidense que " uma mentira pode dar a volta ao mundo enquanto a verdade leva o mesmo tempo para calçar os sapatos." Mais ainda agora, em tempos de redes sociais...

Que saibamos todos, com humildade, ouvir a voz soberana e implacável das urnas. A advocacia merece respeito.

Foto do Hélio Leitão

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