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Coisas do recesso
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Advogado, pós-graduado em Processo Penal e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (Unifor). É professor do Centro Universitário Estácio/Ceará e da Universidade Sete de Setembro (Uni7). Fundador do escritório Hélio Leitão e Pragmácio Advogados

Coisas do recesso

.Apesar de meus 35 anos de profissão como advogado, exercida intensa e diuturnamente, ainda me deixo fascinar pelos duelos argumentativos próprios da pugna judiciária e que fazem parte de sua riqueza
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De 20 de dezembro a 6 de fevereiro dá-se o esperado recesso forense. Prazos processuais suspensos, um pouco mais de sossego na vida de quem, como eu, faz da justiça profissão. Tempo de descanso merecido, de lazer e, para mim, leitor compulsivo e de muitos e variados interesses, a chance de finalmente fazer aquelas leituras que, por uma razão ou outra, ou mesmo sem razão, acabaram por ser deixadas para trás.

Desta vez me voltei para a leitura de livro que há muito tencionava ler, sem nunca ter conseguido. O livro de que falo é COBRAS CRIADAS - DAVID NASSER E O CRUZEIRO, de autoria do paraense Luiz Maklouf Carvalho, um verdadeiro passeio pela história do jornalismo que se fez no Brasil no século XX. Já o tinha em mãos desde novembro do ano da graça de 2022, como lembra a dedicatória firmada por quem com ele me presenteou e que vai estampada logo na segunda página, o amigo Felipe Barroso, colega de magistério e documentarista de mão cheia. Ele é aquele que dirigiu PREFEITA, filme sobre o período de Maria Luíza Fontenele à frente da prefeitura de Fortaleza, lançado em grande estilo no Cine São Luís. Eu estava lá. Vi o filme e gostei.

O filme fica para outro momento, quero falar do livro que estou lendo. Absorvido na leitura, já meio distraído das coisas do dia-a-dia profissional, eis que advocacia, sempre onipresente, manda lembranças. À certa altura do livro, conta o autor ter David Nasser, que também compunha canções, algumas de grande sucesso como "Canta Brasil" e "Pensando em Ti", participação ativa em entidades associativas, tendo em uma delas, a UBC - UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES, comprado briga com seu tesoureiro, Osvaldo Santiago, a quem acusou de corrupção.

Afrontado, Osvaldo leva David à barra do tribunal. Perdeu feio. Consta que em uma das audiências, houve embate memorável. Manuel Cavalcanti, advogado de Osvaldo, em rompante oratório, põe Nasser na galeria de grande jornalista e extraordinário compositor, dando a deixa para Stélio Galvão Bueno, advogado de Nasser, que não perdeu a oportunidade e mandou ver:

- Se o jornalista Davi Nasser é tão formidável, se o compositor David Nasser é tão brilhante, por que trazê-lo ao banco dos réus?

- Porque cada vez que a pena de David baixa sobre o papel é mais uma honra que cai na lama, respondeu Bueno.

- Quando existe honra, arrematou Bueno, num repente.

Apesar de meus 35 anos de profissão, exercida intensa e diuturnamente, ainda me deixo fascinar por esses duelos argumentativos próprios da pugna judiciária e que fazem parte de sua riqueza. E não resisto a amolar meus leitores com essas boas histórias da advocacia. Há quem, como eu, goste.

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