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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

"Roda Viva" mostra Camilo disposto a unir o que petistas e pedetistas não querem

Tipo Análise
8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da tv cultura. (Foto Reprodução/Youtube) (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução 8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da tv cultura. (Foto Reprodução/Youtube)

É folclórico o equilibrismo do governador Camilo Santana (PT) sobre temas mais espinhosos. Na edição do “Roda Viva” (TV Cultura) dessa segunda-feira, 8, o petista mostrou-se novamente elástico.

Mas, a seu modo, deu muitas pistas sobre o que pretende fazer nas eleições municipais de 2020.

Camilo defendeu com todas as letras uma aliança entre PT e PDT, jogando luzes sobre o gesto que exonerou o petista Nelson Martins na última sexta-feira, 5.

Há quem tenha achado o chefe do Executivo evasivo em relação ao cenário na corrida ao Paço, mas, em bom “camilês”, a mensagem foi enfática. Qual?

A de que, caso não haja entendimento entre os dois partidos, a hipótese mais provável é a de neutralidade no primeiro turno das disputas na capital cearense.

Ou, depois da entrevista de ontem, alguém ainda acredita que Camilo seria capaz de contrariar o grupo de Ciro, Cid e Roberto Cláudio para apoiar a ex-prefeita e hoje deputada federal Luizianne Lins, uma quase desafeta, embora dividam as fileiras da mesma legenda?

É algo tão improvável quanto a possibilidade de que o PT ceda a cabeça de chapa em troca de uma composição com o PDT dos Ferreira Gomes.

O governador sabe disso. Tanto que destacou Nelson Martins como emissário à legenda para abrir uma nesga de diálogo. Difícil, sob qualquer ângulo que se veja o impasse.

Sobretudo num momento em que há pouca convergência entre Camilo e o próprio partido, situação levada ao paroxismo ontem na série de perguntas que serviram de tira-teima para comprovar o grau de petismo do governador.

E, se o "Roda Viva" conseguiu algo, foi explicitar mais ainda certo distanciamento do cearense no que se refere a algumas bandeiras do PT no cenário nacional, tais como o apoio aos protestos do último domingo, aqui dispersados sob o peso da tropa de choque da PM.

De todas as grandes questões conjunturais hoje, Camilo esteve em consonância com o PT apenas em uma durante o programa: impeachment de Dilma foi golpe. E foi uma concordância meio acanhada.

Nas demais, está longe das posições majoritárias no partido, como o impeachment de Bolsonaro e críticas a Ciro Gomes.

É esse o Camilo cujo desafio é unir PT e PDT nas eleições municipais numa cidade tão importante tanto para o pedetismo quanto para o petismo.

Para este porque já foi governada por uma filiada ao partido fundado por Lula.

Àquele porque é hoje a maior administração do PDT, uma joia a ser mantida em qualquer circunstância.

De uma vitória em Fortaleza dependem os projetos de Camilo, de Ciro em 2022 e de Roberto Cláudio agora e daqui a dois anos.

Não se esperava do governador que se manifestasse favoravelmente à candidatura de Luizianne Lins. Tampouco que se revelasse tão afinado ao trabalhismo cirista.

Trata-se de uma equação de difícil equilíbrio, mesmo para alguém habituado a manter-se com um pé em cada canoa partidária.

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