Henrique Araújo
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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

Análise

Marcelo Queiroga terá de se equilibrar entre ciência e nagacionismo de Bolsonaro

Marcelo Queiroga é o 4º ministro da Saúde em um ano de pandemia
Marcelo Queiroga é o 4º ministro da Saúde em um ano de pandemia

Escolhido para substituir o general Eduardo Pazuello no posto de ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga tem uma dura missão pela frente: equilibrar-se entre a ciência e o negacionismo expressado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao que se sabe, Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, postula teses aceitas tacitamente pela comunidade médica quando se trata de enfrentar a pandemia. Isolamento social e vacinação são duas delas. O reconhecimento da ineficácia de medicamentos contra a doença é outra.

Ora, eis aí o tripé da agenda bolsonarista desde o início da pandemia: crítica às medidas de restrição, retardamento da vacinação e prescrição de remédios comprovadamente ineficazes.

E aqui começam os problemas de Queiroga. Ou o ministro renuncia a seus princípios para operar sem tensões dentro do campo de batalha de Bolsonaro e assegurar sua cadeira na Esplanada. Ou muda o presidente e aceita o que é óbvio, dando um cavalo de pau naquilo que vinha fazendo – ou que não vinha. Das duas, uma.

É difícil supor que haja um meio termo, uma conciliação possível entre o que Bolsonaro pretende (evitar o lockdown para não comprometer sua reeleição) e aquilo que o novo ministro deve obrigatoriamente colocar em prática para que o Brasil interrompa a escalada acelerada de mortes.

Em resumo, Queiroga tem de escolher se faz ciência e combate a pandemia com instrumentos usados no mundo inteiro ou se agrada o chefe.

Mandetta e Teich contrariaram Bolsonaro. Pazuello seguiu à risca as recomendações do presidente. Os três foram demitidos.

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