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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

As estripulias golpistas de Braga Netto, o general bolsonarista

Chefe da Defesa, o general já tinha dado mostra cabal de seu temperamento sedicioso e antidemocrático. Mas agora o tiro parece ter saído pela culatra
Tipo Opinião

Que o ministro Braga Netto tem inclinações golpistas, disso não havia dúvida. Chefe da Defesa, já tinha dado mostra cabal de seu temperamento sedicioso e antidemocrático, de que também é exemplo o disparo de advertência feito por Villas Bôas nas vésperas de julgamento de habeas corpus do ex-presidente Lula no STF, ainda em 2018.

A diferença é que, agora, o tiro parece ter saído pela culatra. Explico. No início de seu governo, Bolsonaro se sustentava num tripé: militares, terraplanistas e lavajatistas. A facção ideológica perdeu espaço e os "moristas" foram defenestrados. Restaram os militares, de quem se esperava (sim, houve quem esperasse) que moderassem o presidente. Deu-se o contrário, e o capitão da reserva os radicalizou.

Aos poucos, porém, comendo pelas beiradas, um quarto elemento se impôs: o centrão. Indiferente a gracejos de generais como Augusto Heleno, o bloco passou a dar as cartas no governo. Chegou devagarinho, abocanhou uma emenda aqui, um cargo ali, até finalmente se tornar o único obstáculo entre Bolsonaro e uma pilha de pedidos de impeachment.

O último movimento da tropa fisiologista foi duplo e combinado: a ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil, que se seguiu a uma informação vazada, certamente pelo entorno de Arthur Lira (PP-AL), de que Braga Netto ameaçara as eleições de 22 caso o Congresso não aprove o voto impresso.

Resultado: o mundo político em peso se levantou contra o ministro, que conseguiu uma proeza: apequenar-se ainda mais e enterrar de vez a cloroquina eleitoral do presidente.

 

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