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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

A mudança de comando na Sesa e os desafios para Camilo

Cabeto era um nome da travessia, que, no início, ao aceitar o convite do governador Camilo Santana, não se sabia tão tempestuosa
Tipo Opinião
Secretário Dr. Cabeto e governador Camilo Santana (Foto: REPRODUÇÃO)
Foto: REPRODUÇÃO Secretário Dr. Cabeto e governador Camilo Santana

Secretário da Saúde até o início da semana, quando deixou a pasta após dois anos e sete meses, Cabeto era um nome da travessia, que, no início, ao aceitar o convite do governador Camilo Santana, não se sabia tão tempestuosa. Nem que o mundo atravessaria o maior desafio sanitário em muito tempo.

Mas calhou de o médico estar lá quando a pandemia se abateu. Experiente e firme em suas posições, assegurou que os protocolos contra a Covid fossem rigorosos, a despeito de pressões, no que era respaldado por Camilo. Passada a fase mais aguda da doença, pediu o chapéu, como ficou claro no anúncio de sua saída, feito pelo governador.

Os reiterados agradecimentos a Cabeto vindos do petista dimensionam o papel que o cardiologista teve, num tempo de crise e com um Governo Federal atuando fortemente contra. Entre aliados do Abolição, porém, há quem diga que lhe faltou traquejo político, fator que teria ajudado a desgastá-lo. Veja-se por outro lado: é possível que essa lacuna o tenha animado a comprar certas brigas, como a dos consórcios.

No geral, portanto, Cabeto saiu-se bem, antes e durante a pandemia. Deixa uma marca e um caminho, que serve de ponto de partida para o sucessor, Marcos Gadelha, profissional respeitado, que conhece as dinâmicas da Sesa. Afinal, está no governo quase há tanto tempo quanto o próprio governador. Ao escolhê-lo, Camilo pretendia evitar dois problemas: o da descontinuidade (Gadelha preserva a diretriz da gestão); mas também as turbulências políticas na véspera de ano eleitoral.

 

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