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Ciro fala em suborno à Justiça após decisões que favoreceram Chiquinho Feitosa
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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

Ciro fala em suborno à Justiça após decisões que favoreceram Chiquinho Feitosa

Ciro citou manipulação de empresário, sem referência a qualquer nome, "subornando frações da Justiça"
Tipo Notícia
Ciro na inauguração do comitê de Roberto Cláudio (Foto: DIVULGAÇÃO/CAMPANHA ROBERTO CLÁUDIO)
Foto: DIVULGAÇÃO/CAMPANHA ROBERTO CLÁUDIO Ciro na inauguração do comitê de Roberto Cláudio

Uma declaração do candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) dada no último domingo (21) se perdeu em meio às críticas ao ex-governador Camilo Santana (PT), mas causou polêmica nos bastidores da política cearense. 

Ao comentar troca de farpas com o petista, Ciro citou "manipulação de empresário", sem referência a qualquer nome, “subornando frações da Justiça”.

A acusação, que não tinha destinatário aparente, se seguiu às vitórias do empresário Chiquinho Feitosa (PSDB) na Justiça Eleitoral.

Apenas dois dias antes da entrevista de Ciro em Fortaleza, o tucano obteve ganho importante no TSE, cujo pleno garantiu a neutralidade da federação PSDB/Cidadania nas eleições para o Governo do Estado.

Na prática, a decisão retirou os dois partidos da aliança encabeçada por Roberto Cláudio (PDT) na corrida pelo Executivo estadual. 

Ainda na quarta, 17, Chiquinho também foi beneficiado com medida assinada pelo juiz Francisco Erico Carvalho Silveira, do TRE-CE.

Relator de ação apresentada ao tribunal, o magistrado decidiu em favor de Chiquinho, determinando a exclusão da federação, sob a presidência do tucano, da coligação formada por RC na véspera do rateio do tempo de propaganda no horário eleitoral no rádio e na TV.

Presente ao mesmo evento do qual Ciro também participou no domingo, o senador Tasso Jereissati (PSDB) classificou os expedientes do ex-aliado como “truques jurídicos”.

Entre tucanos ouvidos pela coluna em reserva, esses movimentos de Chiquinho foram vistos como articulados para assegurar o seu sucesso no âmbito judicial.

À coluna, uma fonte que acompanhou conversas internas no PSDB relatou que o dirigente partidário e o então candidato ao Senado Amarílio Macêdo chegaram a se reunir dias antes dos julgamentos que acabariam por retirar o tucano do pleito.

Desse encontro teria tomado parte, além da dupla, o advogado Alcimor Rocha, que faz parte da banca Alcimor, Silveira, Figueredo, Sá advogados, cuja composição inclui o juiz Erico Silveira – autor da decisão favorável a Chiquinho.

Rocha também teria acompanhado o presidente da federação na convenção do dia 4 de agosto, que acabaria aprovando a neutralidade do PSDB na briga pelo Governo.

Pivô de controvérsia, o resultado da convenção seria dissolvido naquele mesmo dia por duas resoluções emanadas da direção nacional do PSDB/Cidadania.

Chiquinho recorreu então ao TSE, que lhe deu vitória final na queda de braço contra Bruno Araújo, presidente nacional da federação, e Tasso, aliado de RC e de Ciro nessa peleja.

A direção local do PSDB ainda não definiu se irá apresentar questionamento sobre o entendimento do TSE.

No último fim de semana, embora a federação tenha decretado neutralidade no Ceará, Chiquinho participou de ato ao lado de Camilo Santana e de Elmano Freitas, ambos do PT. O tucano foi anunciado como presidente do PSDB pelo ex-governador e hoje candidato ao Senado.

Chiquinho, no entanto, preside a federação – o presidente tucano no estado ainda é Tasso Jereissati.

Foto do Henrique Araújo

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