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O que revelam os números do Datafolha
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Henrique Araújo é jornalista e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com mestrado em Sociologia (UFC) e em Literatura Comparada (UFC). Cronista do O POVO, escreve às quartas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades, editor-adjunto de Política e repórter especial. Mantém uma coluna sobre bastidores da política publicada às segundas, quintas e sextas-feiras.

O que revelam os números do Datafolha

A se preservar o cenário de fragmentação de postulantes, registrado na primeira rodada de pesquisa O POVO/Datafolha,as chances de uma segunda etapa se multiplicariam
Capitão Wagner sai em vantagem em relação aos demais pré-candidatos, segundo pesquisa O POVO/Datafolha (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo)
Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo Capitão Wagner sai em vantagem em relação aos demais pré-candidatos, segundo pesquisa O POVO/Datafolha

Entre os muitos cenários sugeridos unicamente com base na primeira rodada do Datafolha divulgada ontem pelo O POVO, há um no qual o líder Capitão Wagner (União) se mantém no patamar dos 30%, chegando ao 2º turno contra um dos nomes que o seguem a distâncias variadas: José Sarto, do PDT, com 16%; André Fernandes, do PL, com 12%; e Evandro Leitão, do PT, com 9% - a prudência recomenda que se inclua Célio Studart, que bateu surpreendentes 8% da preferência do eleitorado mesmo não tendo sido apresentado oficialmente por seu partido, o PSD.

A se preservar esse quadro de fragmentação de postulantes, as chances de uma segunda etapa se multiplicariam, de modo que se abriria então uma briga protagonizada por esse pelotão formado por um prefeito, dois deputados federais e um presidente de Legislativo.

Ainda nessa hipótese, um dos candidatos da "máquina" fatalmente restaria fora, o que por si só faria da eleição de 2024 na capital cearense uma corrida sui generis. Não apenas pela cisão entre PT e PDT, mas porque a força do Executivo, seja estadual ou municipal, não teria sido suficiente para alavancar seu postulante.

Pesquisa ajuda a definir vice

Nem de longe esse é o único horizonte vislumbrado pelo Datafolha, contratado pelo O POVO. Há outros, sobretudo porque se está a bons meses das eleições e as chapas sequer estão completas. A quase todos faltam os vices - ou as vices. Esse é, aliás, um dos pontos nos quais o resultado da sondagem deve se refletir de imediato, acelerando processos de decisão. Ao estudar os números, Wagner deve concluir que precisa de um (a) companheiro (a) de pleito que acene ao setor produtivo, enquanto Sarto não erraria em apostar em alguém cuja presença suavizasse a sua e André talvez devesse compensar a pouca idade com um perfil com mais traquejo e experiência. Evandro, por sua vez, poderia colher dividendos se compusesse sua chapa de olho na tentativa de se popularizar, equilibrando essa faceta de candidato da preferência de um eleitorado majoritariamente masculino, mais velho, mais escolarizado e de renda maior - ou seja, da elite fortalezense.

Célio encarece apoio do PSD

Não é trivial que Evandro Leitão e Célio Studart partam do mesmo patamar, em empate técnico. Pelo contrário, é questão a se considerar friamente pelo QG da campanha do petista. Primeiro, se convém operar para que o deputado federal de fato se retire da disputa, uma vez que a saída do parlamentar poderia redundar não em crescimento de Evandro, mas no de seus concorrentes, caso os votos não fossem canalizados como se espera. Uma solução seria que o próprio Célio fosse o vice do presidente da Assembleia, possibilidade que deve começar a frequentar as rodas de conversas e os almoços entre lideranças do Abolição. Disso decorreria talvez um problema: o que fazer com o PSB de Cid Gomes? A esta altura, seria difícil equacionar os interesses de uma base tão ampla e com apetites tão pronunciados quanto essa.

Wagner e André devem conversar

Numa conta ligeira, Wagner, André Fernandes e Eduardo Girão somam exatamente metade das intenções de votos do eleitorado da Capital. É bastante coisa. Juntos, mobilizam força suficiente para catapultar um candidato para o 2º turno, com condições reais de vitória, ao menos em tese e considerando-se a margem de erro do Datafolha, que é de quatro pontos. Avulsos, contudo, podem ficar pelo caminho, principalmente se se impuser esse tom de aberto antagonismo que se tem visto entre apoiadores de André e Wagner. Minando-se mutuamente, devem acabar por reduzir as chances uns dos outros, sabotando-se e morrendo na praia. Especialmente para esse bloco de candidatos do espectro de direita, o Datafolha deve dar muito o que pensar pelas próximas semanas.

 

Foto do Henrique Araújo

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