Henrique Araújo é jornalista e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com mestrado em Sociologia (UFC) e em Literatura Comparada (UFC). Cronista do O POVO, escreve às quartas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades, editor-adjunto de Política e repórter especial. Mantém uma coluna sobre bastidores da política publicada às segundas, quintas e sextas-feiras.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dias Toffoli, ministro do STF
A permanência do ministro Dias Toffoli à frente do caso do banco Master no STF se tornou um constrangimento jurídico e um problema político.
Um constrangimento porque não se supõe que seja trivial um magistrado que tenha assumidamente recebido dinheiro de um fundo ligado a Daniel Vorcaro continuar presidindo um inquérito cujo objetivo é apurar malfeitos atribuídos ao ex-controlador da instituição financeira.
Relatório da PF, com trechos vazados seguindo método do lavajatismo e encaminhado a Edson Fachin, apresenta conversas e menções a pagamentos a Toffoli, um dos sócios de uma empresa em parceria com dois irmãos.
A companhia, conforme levantamento da PF, fez transações com um fundo sob a órbita de Vorcaro – era gerido por seu cunhado.
Toffoli, que julga um processo envolvendo o banqueiro, foi beneficiado indiretamente com dinheiro de empresas de Vorcaro. Logo, não teria condições de se manter comandando as investigações. É um raciocínio simples.
Já nem se trata de mero conflito de interesses. Conflito havia quando se sabia que Toffoli tinha voado ao lado de um advogado do banco Master para assistir a um jogo de futebol no Peru. O que se vê agora, porém, é diferente. É escandaloso.
A continuidade de Toffoli no comando dos trabalhos é também um problema político porque tira o foco de quem deve explicações (além dele, claro) pelas suspeitas de fraude fiscal e contratos envenenados com dinheiro público.
É o caso do governador Cláudio Castro, do Rio, e de Ibaneis Rocha, do DF. A lista de implicados em Brasília, no entanto, promete ser mais extensa.
Afinal, não deve ser apenas por simpatia a Vorcaro que integrantes de partidos do centrão vêm pressionando o TCU a dificultar o acesso do BC às provas reunidas no inquérito que tramita no STF.
Mas há um outro aborrecimento causado por Toffoli agora: ele arrasta o Supremo para a lama às portas das eleições. Talvez arrastar para lama soe exagerado, até desrespeitoso.
Digamos, então, que Toffoli expõe fragilidades da corte num momento de vulnerabilidade mais acentuada de seus colegas de Supremo, alvos de uma extrema-direita que já sentiu cheiro de sangue por baixo das togas.
Política como cenário. Políticos como personagens. Jornalismo como palco. Na minha coluna tudo isso está em movimento. Acesse minha página
e clique no sino para receber notificações.
Esse conteúdo é de acesso exclusivo aos assinantes do OP+
Filmes, documentários, clube de descontos, reportagens, colunistas, jornal e muito mais
Conteúdo exclusivo para assinantes do OPOVO+. Já é assinante?
Entrar.
Estamos disponibilizando gratuitamente um conteúdo de acesso exclusivo de assinantes. Para mais colunas, vídeos e reportagens especiais como essas assine OPOVO +.