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Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.

Declaração de Eduardo Bolsonaro escancara viés autoritário do projeto do presidente

Fala do filho do presidente foi feita durante entrevista nesta semana. Eduardo Bolsonaro diz que, se esquerda radicalizar, a resposta pode ser um novo Ato Institucional nº 5
Tipo Análise
 Deputado Eduardo Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil  Deputado Eduardo Bolsonaro

As declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro, líder do PSL na Câmara, escancaram o viés autoritário de sua família e se somam às ameaças recentes do presidente, pai do parlamentar. Dias atrás, o próprio chefe do Executivo disse que as Forças Armadas poderiam ser convocadas caso houvesse contaminação do clima de protestos no Brasil.

Embora não haja indício de revoltas nas ruas, Bolsonaro insiste em mencionar o uso da força. A fala de Eduardo deixa o campo das possibilidades para assegurar que, se persistir essa radicalização imaginária, a resposta será um novo Ato Institucional nº 5.

Para quem não sabe, ou finge não saber, o AI -5 foi o dispositivo que solapou a democracia brasileira em 1964, enterrando a liberdade de imprensa e outros direitos básicos, como os de reunião e de organização. A medida foi a espinha-dorsal do regime ditatorial, esse mesmo reverenciado pelo presidente da República.

À jornalista Leda Nagle nesta semana, Eduardo disse: “Tudo é culpa do Bolsonaro, percebeu? Fogo na Amazônia, que sempre ocorre — eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação — culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa —culpa do Bolsonaro”.

O deputado continua: “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o teor autoritário do projeto de Bolsonaro, a fala tem a função de dissolvê-las. A partir de agora, não há desculpa. A intenção do presidente e seu entorno imediato é o golpismo. Pode não se concretizar, mas algum estrago às instituições talvez cause.

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