Henrique Araújo é jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Articulista e cronista do O POVO, escreve às quartas e sextas-feiras no jornal. Foi editor-chefe de Cultura, editor-adjunto de Cidades e editor-adjunto de Política.
Foto: EVARISTO SA / AFP
PRESIDENTE admitiu pela primeira vez que data da prova pode ser alterada
A nomeação de um aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) abre uma nova fase dentro do Governo de Jair Bolsonaro: a do balcão de negócios.
Nomeado na última terça-feira, Fernando Leão, afilhado de Nogueira, substituiu um indicado de Genecias Noronha, deputado cearense pelo SD.
É parte da dança das cadeiras e do loteamento deflagrado cerca de duas semanas atrás pela Casa Civil de Braga Netto, quando Rodrigo Maia (DEM/RJ) comandou um placar de quase 500 votos a favor de um projeto pelo qual o presidente não tinha simpatia: o pacote de ajuda aos estados.
Foi o estalo que faltava de que o Planalto precisava de uma base urgentemente. Não apenas para barrar pautas desgastantes, mas para conter um eventual processo de impeachment. Hoje, há mais de 30 deles repousando na gaveta de Maia.
Em resumo, é esse o espírito das acomodações que Bolsonaro tem feito ultimamente, mexendo em todos os ministérios da Esplanada, inclusive aqueles chefiados por figuras mais histriônicas, como Abraham Weintraub, da Educação.
É também o que se chama de velha política, que pode angariar futuros aliados ao presidente, sempre a um preço muito alto.
Mas, por outro lado, pode espantar outros também, o que talvez acabe por desgastá-lo ainda mais.
Moral da história: enquanto repete que não negocia nada para a claque que o aplaude caninamente, o presidente começou um saldão com as legendas mais fisiológicas do espectro de partidos brasileiros, agora sem os embaraços que a presença de Sergio Moro causava.
A intenção é substituir o discurso anticorrupção, que lhe serviu bem durante as eleições, por um que lhe permita governar sem tantos sobressaltos. Sai o lavajatismo e entra o populismo.
Se for bem-sucedido, Bolsonaro terá o centrão nas mãos, o que significa que ele próprio estará entregue a siglas cuja fidelidade não é exatamente um predicado do qual se orgulham.
Caso falhe, o chefe do Executivo estará em maus lençóis.
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