Jornalista e bacharel em Comunicação Social e Direito
Jornalista e bacharel em Comunicação Social e Direito
"Honório, você é de esquerda ou de direita?", perguntou-me um conhecido, na fila da lotérica, que eu confesso que não me lembro de onde o conheço e nem sei o nome dele. É conhecido, mas de onde, meu Deus?
Na fila da sorte, estava pensando no que dizia minha mãe: "É difícil acertar, mas só ganha quem joga".
Em meio a essa certeza oriunda da sabedoria popular - e corroborada pela ciência matemática denominada de probabilidade - e a indagação do amigo-desconhecido, sou obrigado a fugir do pensamento - o que fazer com tantos milhões de reais - e a pensar, rapidamente, em uma resposta para o outro apostador, que insiste na interlocução.
Era bem melhor que ele dissesse - "Que calor!", ou seja, usasse um recurso da linguagem, a função fática, para estabelecer um contato social.
Mas não. Veio logo com essa pergunta. O ano estava terminando e o novo prestes a começar e vejo que tudo será como antes. Até quando?
Eu me lembrei dos Trapalhões - 'Ai vareia', isto é, depende. O que é esquerda e direita para ele? Para mim? E para você?
Talvez fosse melhor dizer ou perguntar: O servidor público trabalha em regra cinco dias e folga dois, por semana, escala 5X2, você é contra ou a favor? Você é a favor do fim do político profissional que tem sucessivos mandatos eletivos - pai e filhos? Você concorda com a redução dos juros? O fim do tripé macroeconômico? Você é contra que um servidor público - juiz, promotor de Justiça, desembargador - pratique corrupção e a punição seja uma aposentadoria? Você é a favor do ensino público de qualidade? É a favor do fortalecimento do SUS? Você é contra que se privatize uma empresa pública por preços de banana, como se faz no Brasil desde sempre ou para não ir longe, a partir de FHC? É contra as 'fake news'?
São tantas perguntas. Eu respondo "sim", a todas as questões apresentadas anteriormente. E você?
Era véspera de ano novo e a lotérica estava quente, lotada, com pessoas apresentando visivelmente aquela impaciência típica desse período. Olhei para o interlocutor - meu Deus, quem é? Não consigo me lembrar - e simplesmente ri, mas respondi 'de esquerda'.
Mas você vai votar em Lula? Insistiu. "Quer dizer que concorda com tudo que ele fez e faz?". Claro que não, respondi. "Eu sou Bolsonaro e sou empresário", retrucou. E para governador vou votar no pescoção (referindo-se à Ciro Gomes).
Fiz a aposta, não ganhei e me lembrei da minha mãe. Contudo, se tivesse ganho iria embora para Pasárgada. Talvez lá eu fosse 'amigo do rei'. Mas terei que enfrentar tudo outra vez, aqui no sertão cearense.
É análise política que você procura? Veio ao lugar certo. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.