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Estagiária e colunista de futebol feminino e pautas raciais do Esportes do O POVO. Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (UNI7), já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil

Iara Costa esportes

Maternidade no esporte impõe uma escolha: ou mãe ou atleta

Colunista questiona valor que o esporte tem dado às atletas que se tornam mães, em contraposição ao confortável lugar dos jogadores que viram pais
Ex-UFC, Sucuri vive período de dificuldades após maternidade (Foto: (Foto: Júlio Caesar/ O POVO))
Foto: (Foto: Júlio Caesar/ O POVO) Ex-UFC, Sucuri vive período de dificuldades após maternidade

Dedicação, amor e respeito são algumas das características que fãs do esporte sempre esperam que os atletas que defendem seus times tenham. Essas também são características que homens e mulheres devem ter com seus filhos quando decidem tê-los. Um atleta, quando se torna pai, costuma celebrar o fato na internet e, claro, a chegada de um filho é quase sempre de bom grado para os homens. Para as mulheres, no entanto, o momento que deveria ser de comemoração se torna de preocupação.

Não por acaso. No Brasil, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2016, mais da metade das mulheres perderam seus empregos após a gravidez. Embora o emprego de esportistas não seja convencional, ele também entra na estatística. O mais atual exemplo que temos é da lutadora cearense ex-UFC, Viviane Sucuri. 

Em um exame de rotina, a atleta descobriu que estava grávida. Logo após a descoberta, Sucuri perdeu dois patrocínios e iniciou uma luta fora dos ringues contra o abandono. Sem o apoio do genitor e sem o suporte das marcas, a lutadora passou a enfrentar uma batalha como mãe solo e desempregada. Embora tenha tido o apoio da família e dos fãs, que ajudaram com contribuições online, ela ainda não conseguiu voltar à sua melhor forma.

Não foi por falta de vontade. Ela treina e busca voltar a ser a Viviane que já foi um dia, mas não é fácil correr sozinha em busca de um sonho e ela não é a única esportiva brasileira a passar por isso. Lateral do Brasil na Copa do Mundo feminina de 2019, Tamires ficou quatro anos afastada dos gramados após se descobrir grávida, mesmo vivendo uma realidade diferente, já que ela tinha o apoio da família e do pai do filho Bernardo.

Do outro lado do campo, já acompanhei história de jogadores homens que saíram da concentração para ver o filho nascer e entraram em campo no dia seguinte, por vontade própria. Quando um homem tem um filho, ele perde um treino, talvez, por conta da licença-paternidade, enquanto mulheres acabam por perder a carreira por longos períodos. 

Embora existam leis trabalhistas que asseguram que mulheres não podem ser demitidas em período de gravidez, muitas empresas esperam uma data juridicamente segura para abrir mão da funcionária por ainda encararem uma mulher com filho como peso. Por conta disso, muitas atletas decidem congelar os próprios óvulos para engravidar após a aposentadoria. Mas até onde é justo abrir mão da família por um trabalho, por mais passional que a relação com ele seja? Até onde é justo ter de escolher entre ser mãe ou atleta?

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