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Saída do Fortaleza do Brasileirão Feminino A1 expõe fragilidade do futebol cearense
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Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil

Iara Costa esportes

Saída do Fortaleza do Brasileirão Feminino A1 expõe fragilidade do futebol cearense

Desistência do clube reforça um ciclo de descontinuidade nos projetos femininos e escancara a falta de planejamento geral e apoio à modalidade no Estado
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Fortaleza, Ce , BR - 21.11.25 - Classico Rainha - Primeiro jogo da final do campeonato cearense feminino entre as equipes do Ceará e Fortaleza no Estádio Presidente Vargas (FCO FONTENELE/O POVO) (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Fortaleza, Ce , BR - 21.11.25 - Classico Rainha - Primeiro jogo da final do campeonato cearense feminino entre as equipes do Ceará e Fortaleza no Estádio Presidente Vargas (FCO FONTENELE/O POVO)

O Fortaleza não conseguiu tempo hábil para se desfazer do seu maior erro de 2026, que foi desistir do time feminino. O clube ainda pretende manter uma base para o básico, mas, ainda que tenha buscado — em união com a R4 e a procura por patrocinadores — persistir com a equipe na Série A1, a permanência não foi possível graças ao curto prazo dado pela CBF para que as equipes se confirmem na competição. Uma pena.

É sempre lamentável — e o futebol feminino cearense perde muito — quando essas desistências acontecem. As Leoas vinham em uma crescente, bateram na trave algumas vezes em busca desse acesso e, justamente quando conseguiram se encontrar, iniciando um trabalho de médio prazo e definindo seu estilo de jogo com o técnico Erandir, tudo desmorona. Começar do zero não vai ser fácil — tanto no sentido técnico quanto no financeiro. Como patrocinadores terão confiança em um projeto que se desfaz tão facilmente?

Vale ressaltar, no entanto, que o Fortaleza não é o primeiro clube cearense a fazer isso. Em 2022, quando o grupo masculino do Ceará caiu, mesmo com o time feminino tendo vencido o Brasileirão Feminino A2 — e não só conquistado o acesso —, algo semelhante ocorreu. O Vovô não chegou a acabar com as Alvinegras, mas o projeto enfraqueceu de modo que o clube acabou tendo a imagem desgastada, com goleadas sofridas, até cair para a A2.

A crise claramente afetou um projeto que vinha em ascensão à época. Assim como o Fortaleza agora, as Alvinegras tinham um trabalho de médio prazo bem desenvolvido com Erivelton Viana naqueles anos. Depois da queda — e, posteriormente, da desistência de disputar o Brasileirão Feminino A2 na temporada seguinte — um projeto que era promissor se tornou inconstante.

É alarmante para o futebol feminino cearense que esses padrões se repitam no futebol local, aliás. Estamos muito próximos à Copa do Mundo feminina e não temos nenhum projeto do futebol cearense realmente consistente no cenário nacional por conta dessas decisões dos clubes do nosso Estado. Seria de suma importância que o Governo Estadual — que deveria ter interesse na modalidade, já que irá receber uma Copa do Mundo feminina na Arena Castelão — se some a essa luta pelo fortalecimento da modalidade.

Vale ressaltar que, quando Fortaleza foi confirmada como sede do torneio, eu questionei o atual governador, Elmano de Freitas, em relação a quais seriam os fomentos ao futebol feminino local e recebi uma resposta vaga. Agora está na hora dessa resposta finalmente chegar, ou receberemos uma Copa do Mundo em que o público cearense não estará sequer próximo da modalidade pelo seu próprio clube — quem dirá com curiosidade para ver outras seleções.

Foto do Iara Costa

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