Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
Com a saída definitiva do Fortaleza do Brasileirão Feminino A1 — agora a equipe se encontra sem divisão —, restou ao futebol cearense botar os olhos no Brasileirão Feminino A3 e na Copa do Brasil da modalidade para acompanhar um time local em torneios nacionais. É um encolhimento duro de aceitar, sobretudo para um estado que já teve protagonismo recente na elite e que, hoje, observa de fora aquilo que ajudou a construir.
Com a previsão de um time cearense a menos nos torneios, caso o torcedor esteja buscando representatividade nordestina na A1, a resposta acaba ficando na Bahia, estado que terá dois representantes no Brasileirão Feminino da primeira divisão. Não por acaso. O espaço deixado pelo Ceará foi rapidamente ocupado por projetos que souberam se organizar, manter investimentos e, principalmente, entender o futebol feminino como política esportiva.
O Bahia disputa o torneio pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, fechou uma ótima campanha com o título estadual. Antes disso, cruzou com as Leoas na Copa Maria Bonita e acabou eliminado nas semifinais, mas nem a perda do título tirou os méritos do ano. Na A1, o time havia se classificado para o mata-mata e caiu muito mais pelo azar de encontrar o Corinthians logo no início do que por falta de competitividade. Na Copa do Brasil, a eliminação diante da Ferroviária também foi honrosa, nas semifinais, dentro de um contexto de enfrentamento com projetos já consolidados.
Dá para dizer que o projeto baiano tem constância, algo raro no cenário nacional. Para quem deseja acompanhar a A1 torcendo por um time da Região — apesar das rivalidades nordestinas, claro —, o Bahia surge como a opção mais estável e confiável.
O Vitória será o outro representante nordestino na elite. O projeto chega de forma surpreendente, herdando uma das vagas abertas pelas desistências de Fortaleza e Real Brasília. Ainda é cedo para medir o tamanho do investimento, mas o clube se posicionou desde os primeiros rumores de saída com estrutura mínima para competir. Não parece ser um time montado apenas para cumprir tabela, o que já é um ponto positivo.
Cabe o elogio ao futebol baiano, que soube ocupar o espaço deixado. Mas cabe, sobretudo, o lamento. Ceará e Fortaleza já tiveram cacife para estar ali e, quem sabe, termos hoje um Clássico-Rainha na Série A, e não apenas um Ba-Vi como referência nordestina na elite. Hoje, isso soa infelizmente como um sonho distante, mas a torcida é para que não permaneça assim por muito tempo.
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