Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
Faltam menos de 500 dias para a bola rolar na partida de abertura da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. Até lá, ainda há muito a ser anunciado: o calendário oficial dos jogos — com Fortaleza sonhando em ser a sede da abertura —, a bola e outros detalhes que costumam ajudar a criar expectativa em torno da competição. Mas, apesar da contagem regressiva já ter começado, você consegue sentir o clima de Copa do Mundo no ar? Eu não.
E não é como se não houvesse pessoas trabalhando nos bastidores para que tudo aconteça da melhor forma possível. Certamente há planejamento e decisões sendo tomadas. Ainda assim, a sensação é de que, a essa altura do campeonato, o ambiente era bem diferente em 2013, na véspera da Copa do Mundo masculina de 2014. Naquele período, o Mundial já parecia mais presente no cotidiano das pessoas. Hoje, isso não acontece.
Não coloco essa ausência de clima na conta dos torcedores. Sendo honesta, tenho a impressão de que, se eu não fosse atrás de informações sobre a competição, saberia muito pouco sobre ela. E, se isso acontece comigo, é difícil imaginar que quem hoje não se importa com o futebol feminino esteja sendo minimamente instigado a se aproximar da modalidade.
Trago essa reflexão não por pessimismo ou preocupação com o sucesso do evento em si. O Brasil é um país apaixonado por futebol e por festa, e é provável que os estádios estejam cheios quando a Copa começar. A impressão, porém, é de que as pessoas por trás do evento — assim como a própria Fifa — acreditam que o público simplesmente aparecerá no dia dos jogos, como num passe de mágica.
Até agora, não há um esforço perceptível de comunicação ou estímulo para atrair novos torcedores antes do apito inicial. Na marca simbólica de 500 dias para o início da competição, a própria Fifa destacou os números da última Copa do Mundo Feminina: mais de 2 milhões de torcedores nos estádios e mais de 2 bilhões de pessoas engajadas ao redor do mundo.
Mas como se espera repetir — ou ao menos se aproximar — desses números no Brasil se não há uma estratégia clara para convencer mais de 2 milhões de pessoas a irem ao estádio assistir a um jogo de futebol entre mulheres — num país onde isso ainda não é um costume?
Muito se fala sobre o legado que a Copa do Mundo Feminina de 2027 pode deixar. Infraestrutura, turismo e visibilidade internacional são importantes. Mas há um legado que parece estar sendo ignorado desde já: o de conquistar, de fato, torcedores para a modalidade.
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