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Inquieta, porém calma. Isabel Costa, a Bel, é mediadora de leituras, jornalista e professora. Realiza ações no âmbito da leitura, desde 2016, em Fortaleza e na Região Metropolitana. É especialista em Literatura e Semiótica pela Uece. Autora dos livros Pitaya e das obras experimentais Vitamina D, Querida Anne e Retalhos. Aos domingos, quinzenalmente, é possível ler as crônicas da Bel no Vida&Arte, caderno do O POVO

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Isabel Costa: "Desde a pandemia, em 2020, a sensação é a mesma: o tempo flui de forma elástica"
Tipo Crônica
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Ilustração de Jansen Lucas para crônica de Isabel Costa (Foto: JANSEN LUCAS)
Foto: JANSEN LUCAS Ilustração de Jansen Lucas para crônica de Isabel Costa

Foi um sopro. 2025 passou e eu ainda não processei o mês de janeiro. A quem interessar possa: o ano já acabou. Não dá tempo de fazer mais nada além de fechar as demandas e partir para a ceia natalina. Em uma reunião na última semana, falei sobre "O Carnaval do ano passado…". Fui interrompida - "Não, Bel, o Carnaval de 2025 -, mas retruquei: "O ano acabou".

Desde a pandemia, em 2020, a sensação é a mesma: o tempo flui de forma elástica. Um ano depois do outro, sempre com muita coisa pra resolver e expectativa para o próximo.

Em linhas gerais, 2025 foi bem legal. Aprendi bastante, realizei sonhos, montei uma casa - ainda sem muitos móveis - e li bons livros. Confirmei que multiuso é o melhor amigo da dona de casa; aprendi a tomar creatina e whey; vi bons shows e conheci cafés legais.

Os pensamentos difusos me acompanham enquanto organizo as minhas agendas - sim, no plural - de 2026. Escrevi as numerações de 365 dias à mão, duas vezes. Ao invés de comprar um diário daqueles pré-preenchidos e sem vida, eu optei por escolher agendas coloridas que pudessem ser decoradas com adesivos e recortes. E assim tenho passado boa parte das minhas noites: dividida entre o adesivo de estrela azul com borda roxa ou o adesivo de coração com bolinhas. Quanta dúvida! Mas é uma decisão até gostosa de tomar.

Em 2025, eu precisei tomar muitas decisões - o tempo inteiro, a todo instante, de diversas formas, de vários níveis de responsabilidades e com variadas consequências. Decisões estas que causaram impactos - sutis ou profundos - não apenas na minha vida, mas na rotina quem estava ao meu redor.

Queria ligar o foda-se, mas não consigo. Acredite: já tentei muitas vezes. Queria ser aquele tipo de pessoa que não liga pra nada, que não se importa, que coloca a cabeça no travesseiro e conta carneirinhos. Mas eu carrego o fardo de ter sido forjada com uma mente calculista. Estou sempre ponderando as opções, vislumbrando as repercussões e desfechos. Errei na maioria das escolhas que fiz, entretanto, das poucas que acertei sinto orgulho.

Dos ganhos de 2025, acho que ter consciência de mim é o principal. Sei em quais aspectos sou imbatível e sei também onde residem as minhas falhas. Quando coloco na balança, percebo que saber de si é "bem bom". Bem melhor do que saber - e debater - a vida dos outros.

Comecei a fazer contagens regressivas. Não para o Natal e para o Réveillon, pois estes estão próximos demais. Estou contando dias e semanas para o Carnaval, para a Copa do Mundo, para a Semana Santa, para o meu aniversário de 37 anos. Enquanto vou colando os adesivos nas agendas, penso em tudo que posso fazer de forma diferente em 2026 e nas poucas coisas que desejo manter.

É bacana fazer musculação, mas talvez o próximo ano seja dedicado ao pilates; é bom ler livros, mas, possivelmente, vou frequentar mais as salas de cinema; é ótimo tomar café em um lugar bacaninha, claro, mas tentarei frequentar mais shows e festinhas.

Talvez o maior aprendizado de 2025, entretanto, tenha sido a urgência de colar os adesivos. Não dá pra esperar. A vida não espera. Eu, literalmente, posso morrer amanhã - de tédio ou de estresse. Diferente daqueles stickers dos cadernos escolares que ficaram esquecidos por décadas a fio, eu já tô aproveitando pra grudar logo tudo!

 

Foto do Isabel Costa

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