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Os prós e contras da chapa Lula-Alckmin
Ítalo Coriolano

Os prós e contras da chapa Lula-Alckmin

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A possível aliança entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, recém-desfiliado do PSDB, caminha a todo vapor, principalmente após o jantar do último domingo, que reuniu figuras de peso da política nacional.

À primeira vista, a parceria tem objetivos claros: quebrar a resistência de uma parcela conservadora do eleitorado ao nome do petista, caminhar ainda mais para o centro e acalmar o mercado, criando já uma espécie de "frente ampla" para 2022.

Ao mesmo tempo, enfraquece ainda mais a chamada "terceira via" e amplia as chances de vitória já no primeiro turno. Para além do pragmatismo eleitoral, claro, o olhar também está voltado para o futuro: garantir condições de governabilidade até 2026.

Esse é o cenário ideal, que dificilmente se concretizará por completo, em razão das diferenças entre os dois personagens e por outras variáveis que o cercam. Por exemplo, a militância petista estaria disposta a engolir um caminhão de sapos e sair pelas ruas defendendo o nome do ex-tucano? Inclusive, vídeo de 2017 com duras críticas de

Alckmin ao ex-presidente - "depois de quebrar o Brasil, Lula quer voltar à cena do crime" - já viralizou nas redes sociais. O petista fala em passar uma borracha no passado. Entretanto, não é assim tão fácil.

As marcas que separaram PT e PSDB por décadas ainda são muito fortes, e nomes como Lula e Alckmin representam a chamada "política tradicional" em estado bruto, sem falar nos escândalos de corrupção que atravessam as duas figuras. Situação que poderá ser bem explorada por nomes como o ex-juiz Sérgio Moro.

A esquerda sozinha não ganha eleição, isso é fato, mas não existiriam outras alternativas capazes de agregar valor à chapa sem levantar tantas polêmicas e constrangimentos? Vale a pena criar mais tetos de vidro numa casa já tão propensa a abalos?

Outro ponto: como fica o Psol nessa história? Partido que esteve ao lado do PT nos momentos mais complicados e que rejeita qualquer aproximação com Alckmin. O presidente da sigla, Juliano Medeiros, já disse não considerar o ex-governador um aliado.

Esses são alguns dos aspectos que jogam luz sobre a complexidade de uma chapa entre Lula e Alckmin. Não é só mudar de partido e posar para fotos juntos. Existe toda uma engenharia política a ser executada nos próximos meses. O que aparentemente é positivo pode virar dor de cabeça em pouco tempo. n

 

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