Editor de Política do O POVO, escreve sobre Política Internacional. Já foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO
Editor de Política do O POVO, escreve sobre Política Internacional. Já foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO
Se o ano de 2024 ficou marcado pelas muitas eleições realizadas em todo o mundo levando bilhões de pessoas às urnas, 2025 reserva uma temporada eleitoral mais calma. Isso não significa, porém, que será um ano tranquilo pois há a projeção de muitas disputas acirradas pela frente. Pegando apenas o recorte da América do Sul, três embates se destacam e prometem agitar a região.
Já agora em fevereiro, o Equador voltará às urnas em eleição para encerrar o mandato tampão de Daniel Noboa. Eleito em outubro de 2023 apenas para completar o mandato de Guillermo Lasso, Noboa terá novamente como principal adversária Luisa González, candidata ligada ao ex-presidente Rafael Correa. A questão de como lidar com as organizações criminosas que atuam no país será mais uma vez o tema central da disputa.
Na Bolívia, em agosto, as eleições caminham para ser marcadas pelo racha no Movimento ao Socialismo (MAS). O ex-presidente Evo Morales e o atual Luís Arce romperam e dividiram o partido de esquerda após o primeiro tentar novamente ser candidato, o que é vedado constitucionalmente no país com que o Brasil tem sua maior fronteira.
Em novembro será a vez do Chile ir às urnas. Gabriel Boric deixará o Palácio de la Moneda (não há reeleição no país) após quatro anos marcados mais pelas idas e vindas de plebisicitos que não resultaram em uma mudança constitucional do que pelos feitos de sua gestão. Faltando 11 meses para o pleito, ainda é cedo para prognósticos mais claros, embora o campo conservador esteja fortalecido com Evelyn Matthey (de direita e que já foi candidata em 2013) e José Kast, pré-candidato de extrema-direita derrotado por Boric em 2021. Na esquerda, a secretária-geral do Governo Camilla Vallejo e a ministra do Interior e da Segurança Pública Carolina Tomás despontam como principais nomes.
Fora da América do Sul, as eleições alemãs previstas para fevereiro terão destaque no primeiro semestre de 2025. A principal preocupação é saber o quanto o partido Alternativa para Alemanha (AfD) irá crescer e o tamanho da ameaça que a extrema-direita passará a exercer.
Favoritos, os democrata-cristãos da CDU (centro-direita) devem vencer a eleição, mas precisarão formar um aliança com outras forças políticas para governar.
Curiosamente, minha primeira coluna de Política Internacional foi sobre as eleições na Alemanha, publicada em dezembro de 2021. Esta que você lê agora será a última. A partir de janeiro estarei escrevendo em um outro espaço e sobre outros temas aqui mesmo no O POVO.
Ao longo desses três anos, acho que não dá para dizer que o mundo melhorou tanto no que diz respeito ao avanço democrático e dos direitos humanos. Duas guerras brutais tiveram início e seguem como massacres cruéis.
No entanto, apesar da ameaça antidemocrática que paira cada vez mais densa no mundo - e escrevo três semanas antes do retorno de Donald Trump à Casa Branca - ainda há de se ter alguma esperança de que é possível e necessário superar o extremismo que divide as pessoas em um planeta já muito fragmentado.
No mais, gostaria de agradecer ao O POVO e aos diretores de Jornalismo Ana Naddaf e Erick Guimarães por proporcionarem um espaço para que eu pudesse escrever sobre algumas das principais questões de Política Internacional. E agradecer também a você, leitor, que me acompanhou até aqui nesses três anos, com o seu tempo, seus elogios e suas críticas. Nós seguiremos nos vendo por aí. Um 2025 com felicidade e leveza a todos.
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