João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais
Foto: Fernada Barros e Francisco Fontenelle / O POVO
SENADORES Cid Gomes e Eduardo Girão
Cobrir o Congresso Nacional é bem complicado, mas ainda mais difícil é cobrir o Parlamento e manter os olhos abertos para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para o Palácio do Planalto, onde despacha o presidente Lula. Como algumas informações se sobrepõem a outras, uma ou outra nota fica pelo caminho - esquecida no celular ou guardada na memória. Vou elencar algumas delas:
O motorista de Cid Gomes
Logo que Davi Alcolumbre (União-AP) foi eleito presidente do Congresso Nacional, convocou líderes partidários para a primeira reunião de 2025. O encontro, mais reservado, ocorreu na Residência Oficial do Senado, uma mansão à beira do Lago Paranoá onde o presidente do Congresso mora quando está em Brasília.
Fim de encontro e os senadores começam a sair da casa. Passam três carros antes do primeiro parar para falar com a imprensa. A janela se abre e é possível identificar a alma caridosa disposta a ajudar os profissionais que derretiam no sol: o líder do PSB, Cid Gomes. No assento do carona, Cid não desce do carro, mas inclina o corpo para dar relatos sobre o Colégio de Líderes.
A primeira pergunta foi sobre emendas parlamentares, que estavam bloqueadas, e Cid respondeu de pronto. Na segunda, hesitação. O senador olha pro lado e confirma com o motorista se três Medidas Provisórias seriam votadas. O motorista respondeu que sim e eu já cocei a cabeça. "O que o assessor do Cid fazia na reunião?", me questionei. Mais um questionamento e mais uma confirmação com o motorista.
À essa altura, eu já não me aguentava de curiosidade. Abaixei para ver quem era o motorista e veio a surpresa: no volante estava Eduardo Girão, líder do Partido Novo no Senado, que também tinha participado da reunião.
Dei uma risada, comentei a curiosidade que me passava pela cabeça e eles, então, justificaram a saída no mesmo carro: como ambos se dirigiam ao aeroporto, Cid pegou carona com o conterrâneo. Rivais, mas não inimigos.
O impacto dos times de futebol em Brasília
Primeiro, é bom contextualizar: Corinthians, Flamengo e Vasco concentram as torcidas dos "homens fortes" da política nacional: Lula torce por Corinthians e Vasco; o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso são Flamengo; Davi Alcolumbre é Vasco.
Hugo Motta é o mais fanático: faltou a uma sessão para assistir Flamengo x Ceará, que garantiu o título brasileiro ao time carioca. Ele também cancelou uma sessão para acompanhar a derrota do time do coração para o PSG, na final do Mundial de Clubes.
Davi Alcolumbre é mais contido e ficou até tarde votando o PL da Dosimetria, sessão que terminou durante a primeira partida da final entre Corinthians e Vasco, pela Copa do Brasil. Na última sessão do ano, chegou a palpitar para a finalíssima. "Acho que ganhamos, mas eu fiquei feliz, mesmo, foi com a derrota do Flamengo", opinou antes da porta do elevador presidencial se fechar pela última vez no ano. Não ganhamos, presidente…
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