João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais
Guimarães tenta emplacar Camilo no Ministério da Justiça
Ministério vai perder Ricardo Lewandowski nos próximos dias e não há substituto definido. Camilo seria o escolhido por ter bom relacionamento com o Congresso e facilitaria aprovação da PEC da Segurança Pública
Foto: Agência Brasil/Fabio Rodrigues-Pozzebom
CAMILO Santana é ministro da Educação do governo Lula
O ano mal começou e a cadeira de Camilo Santana (PT), ministro da Educação, pode mudar. O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT), reuniu-se com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para oferecer e defender o nome de Camilo como substituto de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça. A informação foi dada primeiro pelo amigo Túlio Amâncio, da Band, e confirmada pela coluna.
A princípio, o motivo é nobre: Camilo é ex-governador, é senador licenciado e tem ótimo relacionamento com deputados e senadores. Articulador nato, Camilo seria o nome que faltava para que o governo consiga aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública.
Além disso, é a oportunidade de nacionalizar ainda mais o nome do ministro, que é bem avaliado dentro do PT como possível sucessor do presidente Lula. Ano eleitoral, 2026 deve concentrar os debates sobre segurança pública e ter Camilo em evidência sobre outro assunto que não educação ampliaria o leque. O movimento é semelhante ao de Haddad na Fazenda e, se Lula for reeleito, na Casa Civil: mostrar para a sociedade que aquele quadro político é qualificado.
Impacto na política cearense
O nome de Camilo foi bem aceito pela ministra Gleisi Hoffmann, mas a situação política no Ceará fez a ministra dar um passo atrás. Caso Lula convoque Camilo para o Palácio da Justiça, ele não poderia se desincompatibilizar. O ministro ficaria preso ao Ministério da Justiça e não poderia ser opção para disputar a eleição ao Governo do Ceará contra Ciro Gomes (PSDB).
O movimento também tem como plano de fundo a disputa pelo Senado no Estado. Camilo já avisou a aliados que defende Chagas Vieira, secretário da Casa Civil do governo Elmano, como indicado dele ao Senado Federal. Guimarães, porém, quer a mesma vaga. A benção de Guima para nacionalizar Camilo em outra pasta daria fôlego ao deputado na disputa interna do grupo.
Camilo, por sua vez, aceitaria o desafio já pensando em 2030. Visto como principal nome pós-Lula, Fernando Haddad não se vê mais em disputas eletivas e quer ser uma espécie de ministro técnico. As portas de Lula seriam abertas, então, para o ministro Cearense disputar as eleições para presidência em 2030.
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