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Por que o Parlamento não participa dos atos sobre o 8/1?
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João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais

Por que o Parlamento não participa dos atos sobre o 8/1?

Golpistas depredaram o Salão Verde, da Câmara, e vandalizaram o plenário do Senado Federal. Mesmo assim, há dois anos, os presidentes não participam dos atos de repúdio
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Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023

O 8 de janeiro se tornou marco histórico na vida dos brasileiros. É fácil você ver e compartilhar com amigos o que estava fazendo na fatídica data em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) destruíram os prédios dos Três Poderes, em Brasília.

E, olha, foi uma destruição gigante. Eu entrei nos três prédios no dia seguinte, 9 de janeiro, e meus olhos se encheram de lágrimas. A Praça dos Três Poderes é como o quintal de casa do brasiliense. Sentimos orgulho de ter o centro da política aqui; vemos aquele local, pelo menos, semanalmente; trabalhamos perto ou dentro daqueles três prédios.

O edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) foi o mais atacado. Os vidros estavam estilhaçados, poltronas reviradas e o cheiro de urina no plenário era assustador. Bolsonaristas veem o local como se lá fosse o inferno na Terra e quiseram devassar o prédio que simboliza o Judiciário brasileiro.

O Palácio do Planalto também foi completamente vandalizado. Cheguei ao local no dia 9 pela manhã. Os trabalhadores da limpeza removiam os cacos de vidro do chão, porteiros levantavam os móveis derrubados e os curadores das obras choravam copiosamente.

No Congresso Nacional, a destruição foi menor por causa da atuação das duas polícias legislativas. Quem entrou pela claraboia da Câmara não conseguiu entrar no Senado. Os invasores do plenário do Senado não conseguiram sair do local. Mesmo assim, no Salão Verde, obras de arte foram destruídas, carros jogados no lago artificial que margeia o prédio.

É por isso que o Congresso ignora a data?

Nos três anos de eventos para lembrar o 8 de janeiro, o Parlamento só participou do primeiro. Na ocasião, auge da proximidade entre Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o presidente Lula, o Congresso Nacional foi palco do evento que reuniu representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de governadores e prefeitos.

De lá pra cá, Pacheco, Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) não mais compareceram aos eventos, seja no Palácio do Planalto ou no Supremo Tribunal Federal.

O motivo: política. Ano passado, Lira e Pacheco negociavam as sucessões presidenciais e queriam eleger Motta e Alcolumbre com placares recordes. Não participar significou uma aproximação da oposição e do PL. Com votos deles, os dois foram eleitos de forma acachapante.

Este ano, Alcolumbre e Motta também não vão, mesmo com Lula tendo nomeado, recentemente, indicados dos dois para o Ministério do Turismo e para a Comissão de Valores Imobiliários. Como o Congresso aprovou o PL da Dosimetria e Lula quer vetar o texto no evento, a rusga pegaria mal aos presidentes de Câmara e Senado.

É com este espírito que o Parlamento chega ao terceiro ano dos atos mais deploráveis após a redemocratização: vaidade e objetivos pessoais valem mais que a condenação de uma tentativa de golpe de Estado.

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