João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais
Os bastidores da transferência de Bolsonaro para a Papudinha
Gilmar Mendes pavimentou encontro de Michelle com Alexandre de Moraes. Ex-primeira-dama tentou levar o marido para casa, mas aceitou ida para a Papudinha
Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro Alexandre de Moraes fez questão de responder às reclamações feitas pelos filhos de Bolsonaro
Quinta-feira. Pela manhã, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebe a visita do filho e senador, Flávio Bolsonaro. Após o encontro, o primogênito reclamou das condições e do tratamento dispensado pela Polícia Federal a Bolsonaro. Ele conversou com exclusividade à coluna e detalhou a tentativa de levar o pai para cumprir a pena em casa.
"Toda a equipe jurídica buscou seus relacionamentos [com ministros do STF] para dar ciência da situação desumana em que Bolsonaro se encontra e transferi-lo para casa. É o mínimo que toda a família espera neste momento, o cumprimento da lei", afirmou Flávio.
Enquanto Flávio estava com o pai, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se reunia com o ministro relator, Alexandre de Moraes, que é tido por bolsonaristas como maior inimigo do ex-presidente.
No encontro, que foi pavimentado pelo decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Michelle apresentou as condições de Bolsonaro e clamou para que o marido fosse para casa, mas recebeu uma pronta negativa de Moraes. O ministro, porém, deu a opção da Papudinha e Michelle aceitou, mas pediu que Bolsonaro seja clinicamente avaliado. Mãos dadas e Moraes seguiu para proferir a decisão.
Jair Bolsonaro só ficou sabendo do acordo depois da transferência. Primeiro, ele torceu o nariz. O ex-presidente tinha receio de perder capital político por estar no Complexo da Papuda. Bolsonaro só soube do diálogo de Michelle com Moraes quando ela chegou para visitá-lo e argumentou que a ida para a Papudinha era melhor para o atual momento e, também, para uma possível prisão domiciliar.
Convencido sob a ótica política, Jair aprovou não só o acordo como também as instalações da Papudinha. Se a sala de Estado-maior na Polícia Federal se assemelhava a um quarto de hotel, a cela atual parece um apartamento de classe média: são 68m² divididos em sala, quarto, banheiro, cozinha e lavanderia. A área externa fica disponível por tempo ilimitado para Bolsonaro tomar banho de sol. No frigir dos ovos, o movimento foi positivo para o ex-presidente.
Moraes atendeu a todos os pedidos, mas respondeu filhos
Na decisão de enviar Bolsonaro para a Papudinha, Alexandre de Moraes fez questão de responder às reclamações feitas pelos filhos de Jair, Carlos, Eduardo, Jair Renan e Flávio Bolsonaro. Em entrevistas ou nas redes sociais, os quatro diziam que Bolsonaro estava sendo torturado e compararam o local onde Bolsonaro estava a um cativeiro, o que desagradou Moraes.
Em resposta, o ministro lembrou que o ex-presidente desfruta de "condições absolutamente excepcionais e privilegiadas do cumprimento de pena privativa de liberdade que não existem para os demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil".
O ministro, porém, atendeu a todas as demandas feitas pela defesa e pela família Bolsonaro. O ex-presidente terá acompanhamento médico 24 horas por dia; terá espaço e equipamentos (colocados pela defesa) para realizar exercícios físicos e fisioterapia; 5 refeições diárias entregues pela família e ampliação do horário de visitas.
Aliados de Bolsonaro veem o movimento de Moraes como uma espécie de trégua e o passo dado como necessário para que o ex-presidente cumpra o restante da pena em casa.
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