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Na força bruta, pior para o Brasil
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Redator do blog e coluna homônimos, diretor de Jornalismo da Rádio O POVO/CBN e CBN Cariri, âncora do programa O POVO no Rádio e editor-geral do Anuário do Ceará

Na força bruta, pior para o Brasil

Ainda que haja a rejeição ao regime venezuelano, não são os EUA, no braço, que irão resolver. O desprezo pelos fundamentos do direito internacional legitima ações futuras contra o Brasil, seja na Amazônia, seja nas 200 milhas náuticas
Tipo Opinião
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Um bombeiro passa por um veículo militar incendiado na base aérea de La Carlota, em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro depois de lançarem um
Foto: FEDERICO PARRA / AFP Um bombeiro passa por um veículo militar incendiado na base aérea de La Carlota, em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro depois de lançarem um "ataque em larga escala" contra o país sul-americano.

Era um tanto patética a defesa incondicional do regime de Maduro. Por tudo o que era demonstrado de suspeição, pela sustentação com base na força e pela penúria social e econômica, não cabia defender em nome de afinidades ideológicas. E tão patético quanto é ver luminares do campo bolsonarista vibrar com a invasão militar promovida por Trump, sob alegações democráticas. As redes sociais são o palco para os risos nonsense.

Em suma, porque fragiliza o fundamento básico da não intervenção militar de um país sobre outro sem o aval internacional. Uma prática, aliás, recorrente dos EUA. Iraque e Líbia que o digam. Ao dar de ombros para as regras da ONU, cria-se um campo aberto para outras ações semelhantes por qualquer país do mundo. A Carta da ONU prevê uso da força apenas em legítima defesa ou com autorização do Conselho de Segurança.

Impactos no macro e no micro

Ao normalizar a ação militar, fica legitimado que amanhã ou depois o mesmo ocorra na Amazônia ou nas águas brasileiras. O País tem soberania plena até 12 milhas náuticas e direitos econômicos exclusivos de até 200 milhas. Quem se declara patriota precisa entender que a normalização do absurdo no vizinho suscita o mesmo aqui. 

Assim, ainda que haja a rejeição ao regime venezuelano, não são os EUA, no braço, que irão resolver. Para além do desprezo pelos fundamentos do direito internacional, há impactos no Brasil para além do que já houve, sobretudo nas fronteiras, com mais tensão social e mais refugiados. O estado de Roraima é quem mais sofre os efeitos. Há sobrecarga nos sistemas essenciais como saúde, educação, assistência social e segurança pública.

Cinema americano

A visão dos EUA como polícia do mundo - um conceito parido pela 2ª Guerra e alimentado pelo soft power do cinema norte-americano - é sempre cercada de valores supostamente nobres. Seriam os Estados Unidos capazes de suprir uma suposta incapacidade da ONU de exercer o papel que lhe cabe, seriam os fuzileiros navais e afins os heróis a vir salvar a todos do Mau. O lobby pela pressão tarifária de Trump e a aplicação da Lei Magnitsky contra brasileiros compunham o mesmo espectro SRD (Sem Raça Definida). Vira-latas mesmo. 

As soluções militares para questões políticas significam a negação da diplomacia e vai ao encontro da ideia de que: se é na força que se resolvem as questões, pior para os mais fracos, como o Brasil.

CORONEL

Na aba do chapéu das PMs

Em São Paulo, o projeto de reestruturação da Polícia Militar implica custo extra de cerca de R$ 120 milhões e a destinação do equivalente a meio batalhão de policiais para atender ao aumento de 46% do total de coronéis. PMs que deveriam estar nas ruas. Cada novo coronel teria direito a uma Trailblazer e um Corolla descaracterizados, além de motoristas, seguranças e ordenanças. Ante o quadro, revelado pelo Estadão, o ex-secretário nacional de Segurança Pública, o coronel reformado da PM de São Paulo, José Vicente da Silva, disse à Coluna que o estado está querendo copiar o que há de ruim Brasil afora. E ele cita o Ceará. "O Ceará tem uma das maiores lambanças do coronelismo moderno".

Caso aumentem para 94 coronéis, haveria cerca de um coronel para mil PMs. No Amazonas, a proporção é a seguinte: um coronel para 107 subordinados. A mesma proporção aplicada em São Paulo daria à PM paulista 747 coronéis. No Ceará, nas cotas dele, são 269 subordinados por coronel. "Caso aplicasse essa proporção, a PM paulista teria 345. Se aplicada a proporção de efetivo por coronel dos bombeiros do Ceará a PMESP deveria ter mais de 1.800 coronéis".

A explicação para a apontada distorção, diz Vicente, é que as PMs de outros estados copiam a mesma estrutura de cargos da PM paulista, apesar do efetivo menor. Ele compara a uma pequena empresa querendo ter o mesmo número de diretorias que um grande banco com os mesmos salários e benesses.

VIA BNDES

Ônibus estatais em Salvador. E Fortaleza?

O BNDES assinou com a Prefeitura de Salvador contrato no valor de R$ 264 milhões para a aquisição de 226 ônibus a diesel Euro 6. Serão utilizados no transporte público. Mira a redução da idade média dos ônibus e das emissões de poluentes. Enquanto isso, em Fortaleza, a Prefeitura - leia-se Etufor - estuda fazer o mesmo. Seriam 200 este ano, afora os 120 a serem adquiridos pelas empresas. Em suma: o município financiaria e entregaria para as empresas rodarem. É um jeito diferente de dar subsídio. Em vez de dinheiro, veículos. Mas a ideia não desce bem nas empresas. Há o entendimento médio de que Prefeitura não sabe comprar e entra na conversa de vendedor.

COPINHA

Quixadá vai jogar em tapete

Na 56ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, iniciada na sexta-feira, 2, a Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP), recebe os jogos do Grupo 15 — formado por Ferroviária, América (RJ), Cuiabá (MT) e Quixadá (CE) — nos dias 4, 7 e 10 agora. As partidas correspondem às três primeiras rodadas,a reunir 128 equipes de todo o País. O campo é totalmente natural, com grama do tipo Bermuda Celebration e dimensões oficiais de 105 x 68 metros.

UNIDADE EM FORTALEZA

Rede Sarah consegue R$ 7,5 bilhões do SUS

O programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, segue na Rede Sarah após a renovação do convênio pelo Governo por mais cinco anos. Prevê a prestação de serviços de alta complexidade, sobretudo nas áreas neurológica e ortopédica. Para 2026, estão previstos 1,7 milhão de exames e terapias, além de 515,4 mil consultas. Ao todo, R$ 7,5 bilhões em recursos federais. A Rede Sarah atua no Ceará - na avenida Juscelino Kubitschek, no Passaré, em Fortaleza. Também está no Pará, Minas Gerais, Amapá, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e Distrito Federal.

UFC

Fundação Astef fecha ano com R$ 390 milhões sob gestão

A Fundação Astef (Fastef) fez em 2025 a gestão financeira de R$ 390 milhões em recursos de terceiros ( 40% em relação a 2024). Ao todo, foram 250 projetos sob gestão administrava ( 37% em relação a 2024). No ano passado, diz o presidente Joaquim Perúcio, a fundação passou a priorizar projetos com ênfase em inovação aplicada. Para 2026, ele planeja crescer na gestão de projetos internacionais, almejando tornar a fundação referência nessa modalidade também. A Fastef é uma das três fundações de apoio institucional à Universidade Federal do Ceará (UFC). É privada, sem fins lucrativos e presta serviços voltados para o desenvolvimento científico e tecnológico.

HORIZONTAIS

Bolsa roda bem em 2025 - O Ibovespa B3 encerrou 2025 com 32 recordes de fechamento. Com uma valorização acumulada de 34% nos 12 meses, o índice registrou seu melhor desempenho anual desde 2016, quando atingiu 39%.

Fiat lidera pelo quinto ano - Pelo quinto ano consecutivo, a Fiat é a mais vendida do mercado nacional. Em 2025, alcançou 20,9% de participação do mercado (market share) e 533.739 unidades emplacadas, com uma vantagem de 94.8 mil carros à frente da segunda colocada. Novamente a picape Fiat Strada é o veículo mais vendido do País considerando todos os segmentos do mercado - carros de passeio, picapes e comerciais leves - pelo quinto ano seguido também. Foram 142.901 mil unidades e 5,6% de market share. Além da Fiat Strada na primeira posição no ranking, a Fiat também ocupou a terceira e oitava posição no ranking geral de vendas com Argo (102.636 unidades) e Mobi (73.013 unidades). 

Sanção - A Federação dos Bancos, a Febraban, aplicou  47 sanções em dezembro de 2025, totalizando 2.106 punições a correspondentes desde 2020. Agora,  128 empresas estão impedidas de atuar em nome dos bancos devido a irregularidades no crédito consignado. Agentes de crédito (CPFs) também foram punidos, com 11 atingindo a pontuação máxima de 20 pontos e suspensão por 12 meses. Houve mais de 5,9 milhões de pedidos de bloqueio de contato na plataforma "Não Perturbe" até novembro de 2025.

Mais voos - O Governo Federal comemora os números da aviação internacional brasileira. Destaca 2025 como o maior ano da história. Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelam que a movimentação de passageiros entre o Brasil e o Exterior, de janeiro a novembro, somou 25,8 milhões de viajantes. É um recorde histórico para o período nos últimos 25 anos e já supera em 3% toda a movimentação registrada ao longo dos 12 meses de 2024.

Sul-americana -  A grande turbina foi a aproximação com países vizinhos. A América do Sul, considerando voos de origem e destino, atingiu 10,5 milhões de passageiros. Isto são 19,6% frente ao mesmo período do ano anterior. A Argentina lidera o ranking, com 4,3 milhões de passageiros até novembro. Logo atrás, o Chile aparece com 3,1 milhões.

 

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