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Colunista e editor-chefe dos núcleos de Economia e Negócios do O POVO. Também é âncora da rádio O POVO-CBN e apresenta flashes na rádio CBN Cariri e em breve na rádio CBN Teresina. É o editor-geral do Anuário do Ceará e do Guia de Investimentos de São Paulo

jocelio-leal • NOTÍCIA

Empresas e Governo: uma mão lava a outra, sobretudo agora

Carta ao governador deveria ir além do financeiro. Deixou de propor algo mais estrutural, aproveitando a crise para melhorar o ambiente de negócios. Nenhuma linha sobre soluções para o Estado poder suportar os atuais gastos e ainda resolver a crise sanitária. Onde ficou a via de mão dupla? Ou para ser contemporâneo, uma mão lavando a outra? Por
Camilo Santana durante transmissão ao vivo no Facebook
Camilo Santana durante transmissão ao vivo no Facebook

Fortaleza - A carta endereçada ao governador do Ceará, Camilo Santana (PT), por um grupo de entidades empresariais faz uma lista de pedidos nominados por letras. Vai do a ao i. Por esta razão, pede alguns pingos, nos "is". Mira no imediatismo, a despeito de a situação ser de calamidade pública. Acabou deixando de emitir sinais para além do que soou: uma lista de pedidos. Poderia ser mais. Leia aqui

Deveria ir além do financeiro. Deixou de propor algo mais estrutural, aproveitando a crise para melhorar o ambiente de negócios. Mira no emergencial. Natural. Mas quais as soluções que tantas instituições propõem para o Estado poder suportar os atuais gastos e ainda resolver a crise sanitária? Onde ficou a via de mão dupla? Ou para ser contemporâneo, uma mão lavando a outra?

Há uma urgência para as empresas. O corte na carne é uma das dores. Queda no faturamento, demissões. O horror. Mas colocando-se na cadeira de Camilo, o leitor, decerto as instituições podem imaginar o tamanho da demanda nas periferias.

Os respiradores são determinantes, mas a maioria da população é predisposta a outra asfixia, antes de pegar a doença. Vai começar a faltar comida e produtos de higiene. A saída seria ampliar o Bolsa Família, com um um complemento pelo Estado? Talvez. Geraria alguma circulação de dinheiro e mercadorias. Estamos falando de economia de guerra, meu caro Marshall.

Nesta hora, o Governo tem sim de olhar para as empresas (subscrevem também Sebrae e Femicro, pelos pequeninos).

Mas faltou as instituições se somando ao Estado, de forma complementar. Isto inclui mudar formas de produção e adaptações. A Ambev, por exemplo, trocou cerveja por álcool gel. A Diageo anunciou o mesmo. A Del Rio vai deixar lingerie por máscaras. Na guerra, as indústrias alteram suas matrizes para o belicismo.

O Ceará é pobre. Os efeitos da quarentena são maiores aqui, onde o impacto no PIB (e na arrecadação) deverá ser maior. A capacidade de investimentos será mínima. A quarentena, aliás, nem poderá ser tão longa. Como vemos, a questão vai além de uma lista de pedidos.

 

 

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