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Colunista e editor-chefe dos núcleos de Economia e Negócios do O POVO. Também é âncora da rádio O POVO-CBN e apresenta flashes na rádio CBN Cariri e em breve na rádio CBN Teresina. É o editor-geral do Anuário do Ceará e do Guia de Investimentos de São Paulo

jocelio-leal • NOTÍCIA

De Fagner para Evaldo Gouveia

O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner prestou uma homenagem ao conterrâneo Evaldo Gouveia. Ele canta um trecho de um dos grandes sucessos de Evaldo, "Sentimental Demais". "A música brasileira perde um de seus mitos. Eu perco um irmão. Vá com Deus, Evaldo", diz Fagner Por
Fagner cantou em homenagem a Evaldo Gouveia, morto na noite de sexta-feira, em Fortaleza
Fagner cantou em homenagem a Evaldo Gouveia, morto na noite de sexta-feira, em Fortaleza

Fortaleza - O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner prestou uma homenagem ao conterrâneo Evaldo Gouveia. O artista lidava com as consequências de um AVC, foi contaminado pela Covid-19 e não resistiu. Morreu na noite de sexta-feira, em Fortaleza. Fagner gravou um vídeo em casa, no Leblon, Zona Sul do Rio, no qual canta um trecho de "Sentimental Demais", de Evaldo e do capixaba Jair Amorim (1915-1993). A canção foi um dos maiores sucessos do também já falecido Altemar Dutra (1940-1983). Leia mais sobre Evaldo aqui

Na conta dele no Instagram, Fagner (@fagneraimundo) escreveu o seguinte texto:

"Conheço Evaldo desde menino. Ele era afilhado dos meus pais e morávamos numa casa em frente da outra, na rua Floriano Peixoto, 1779; justamente a casa em que nasci. Ele era parceiro de serestas do meu irmão, Fares Lopes, que também ficou conhecido através da música como grande seresteiro. Era uma relação muito próxima, bem familiar; ele sempre me chamava de Raimundinho e falava com carinho da tia Chiquinha e do padrinho Zé Félix.

Quando Evaldo foi embora para o Sudeste, queria que o Fares fosse com ele, o que não aconteceu, pois meu irmão era avesso à viagens e à carreira artística. Já eu comecei a cantar muito cedo, aos 6 anos de idade, possivelmente influenciado por essa relação e também pelo ambiente de minha casa, onde praticamente todos cantavam, principalmente meu pai que havia sido cantor no Líbano, onde nasceu. Lembro do dia que Evaldo voltou, para sua primeira apresentação com o Trio Nagô, na casa do Sr Otoni Diniz, na praia de Iracema, onde depois funcionou o restaurante Tia Nair.

Ele já era famoso no Sudeste e isto foi motivo de muito orgulho para todos nós. O Sr Otoni viria a ser um dos grandes dirigentes do Fortaleza Futebol Clube e, certamente, influenciou o Fares na relação com o clube que, posteriormente, tornou-se um dos importantes homens do futebol cearense, tendo sido homenageado com uma Copa que leva seu nome. Particularmente tenho grande admiração pelo meu irmão, que também me influenciou na paixão pelo esporte, assim como pela música. E essas lembranças todas embalam meu som até hoje.

O Evaldo e o Fares foram grandes referências nos anos de maior importância na influência para uma criança, para um jovem. A partida de Evado é uma grande perda para a música brasileira. Mas sua obra será eterna, pois seu repertório é imortal; fala de uma época, de um Brasil. Evaldo foi o primeiro Hit Maker do país. Nos apresentamos juntos, em alguns shows, em São Paulo e Fortaleza, especialmente no Teatro José de Alencar, no Cine São Luís e no Ideal Clube. Tive o prazer de gravar com Altemar Dutra "Sentimental Demais" e outra canção em parceria com nosso Fausto Nilo. Agora, só saudades e uma boa nostalgia ao lembrá-lo e cantá-lo. Descanse em Paz, meu irmão!"

 

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