Juliana Diniz é doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). É editora do site bemdito.jor
Juliana Diniz é doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). É editora do site bemdito.jor
O começo do ano é sempre uma época propícia para listas. Neste 2026 de agenda cheia, com eleições presidenciais e Copa do Mundo, vale um esforço para listarmos uma série de temas e fenômenos que merecerão nossa avaliação crítica de observadores ao longo dos meses. Afinal, guardado espaço para o imprevisto, o que deve receber nossa atenção neste ano?
Começo com um tema mais estrutural, mais complexo e, por mais invisível que muitas vezes pareça, cotidiano: a inteligência artificial. É indiscutível que as tecnologias responsáveis pela massificação da inteligência artificial generativa têm mudado nossa relação com o mundo, e numa velocidade intensa, com efeitos um tanto imprevisíveis.
Elas alteram nossa forma de acessar e guardar a informação, os processos educacionais, mesmo a economia da atenção. Se, por um lado, parece a muita gente uma dádiva contar com uma espécie de oráculo na palma da mão, é inevitável que essa dependência provoque a infeliz reação de deixar as pessoas mais preguiçosas cognitivamente, com capacidade crítica reduzida para julgar o que é válido e o que é inválido em termos de conhecimento.
É uma mudança que merece nossa crítica cuidadosa. Não só para reduzirmos a velocidade com que abraçamos essa facilidade, mas para pensarmos no que ela implicará em termos de degradação da vida, do mercado de trabalho, da criatividade individual e coletiva. Há, também, um sério debate a fazer sobre a proteção dos direitos autorais e sobre a segurança dos dados implicados no processo. Menos festa e mais prudência é o que o assunto nos pede em 2026.
Um outro tema que eu ressaltaria é a posição da mulher na nossa sociedade. 2025 foi um ano sangrento, com uma epidemia de violência contra as mulheres registrada nas páginas policiais. Muita brutalidade foi noticiada, com indícios de que a misoginia só intensifica o grau de violação da dignidade feminina que se banaliza no cotidiano do país. É preciso pensar seriamente sobre o mundo que reservamos para as mulheres e sobre os valores que têm permeado o ressentimento de tantos homens.
Observemos atentamente os discursos, veiculados em diferentes espaços, sobre a função social feminina: seja pela voz dos padres e religiosos influencers ou pelos parlamentos, não esqueçamos que é pela palavra que uma certa visão de mundo se forma e influencia expectativas e reações. Mulheres merecem respeito.
Por fim, é sempre tempo de pensar sobre como o dinheiro público tem sido (mal) empregado. Os últimos anos mudaram o nosso presidencialismo a partir do orçamento. Nosso papel cívico de eleitores pede a responsabilidade da cobrança e do controle atento ao que se faz com o nosso dinheiro. Que seja um ano de bons debates! Feliz 2026!
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