É doutora em Educação pela UFC. Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro
É doutora em Educação pela UFC. Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro
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Embalado pela retórica da globalização, o imaginário social acreditava ter inaugurado um capítulo da história no qual territórios e fronteiras seriam ultrapassados, diferenças étnico-raciais respeitadas e desigualdades socioeconômicas mitigadas. No entanto, a realidade apontou de modo veemente a distância entre os discursos políticos, a representação social construída e os prognósticos positivos que gradativamente se degeneraram em diagnósticos tenebrosos.
Sob a ubiquidade das mercadorias e a égide neoliberal, o movimento da globalização deixou cair as máscaras, revelando as múltiplas falácias pelas quais foi engendrada. O aumento do desemprego, a crise climática, os conflitos xenófobos, o aumento do tráfico humano e do casamento infantil atestam o lado sombrio da globalização. Um dos efeitos da movimentação global de capital foi também o aumento do poder econômico e político das empresas transnacionais que possuem sede nos países ricos, mas operam em muitos países periféricos.]
O economista Ladislau Dawbor cunhou o conceito de ultrarricos, para designar um segmento da sociedade, mais precisamente o 1%, que concentra a maior parte da renda e da riqueza mundial. Eu ouso afirmar que a existência e o aumento da extrema pobreza é a contraface irremediável dos ultrarricos. Ainda segundo o economista, a riqueza de algumas empresas transnacionais supera o PIB de muitos países. Dito isso, podemos considerar as relações estabelecidas entre essas empresas e os Estados, muitos presidentes de países periféricos se portam como ventríloquos, verdadeiras marionetes no poder. A pobreza abundante, a alta taxa de dessindicalização e os direitos cada vez mais combalidos pelas recentes contrarreformas trabalhistas são o chamariz dos países periféricos para atrair empresas transnacionais.
A busca desenfreada pela maximização dos lucros é garimpada por meio do uso de trabalho infantil, escravo e pela intensa violação aos direitos humanos. Segundo a jurista Melina Fachin, as mulheres são maioria da força de trabalho em empresas onde os direitos humanos são mais violados, a ausência de segurança no trabalho, de liberdade, somadas às práticas discriminatórias chocam com a noção de dignidade humana.
Fachin aponta ainda a dificuldade em responsabilizar as empresas transnacionais. Na maior parte das vezes, faz-se necessário recorrer à câmara interamericana de direitos humanos. Apesar da existência dos inúmeros tratados internacionais que versam sobre direitos humanos e empresas, ainda se faz necessário um enfoque interseccional que lide com questões de classe, raça, gênero, sexualidade e território. Ademais, é urgente um diálogo cada vez mais amplo entre diferentes níveis da justiça, pois a transnacionalização da economia exige respostas jurídicas também transacionais.
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