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Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Apaixonada por basquete, foi repórter do NBB em Fortaleza. Primeira mulher a comentar uma partida de futebol na TV cearense. Autora do livro A Verdadeira Regra do Impedimento, sobre a história do futebol feminino estadual

Foco no futebol masculino faz com que esporte olímpico precise superar torcedores do próprio clube

Após eliminação na Libertadores, parte da torcida do São Paulo passou a criticar a contratação de Bruno Caboclo para o elenco de basquete
Tipo Notícia
Ex-NBA, Bruno Caboclo é reforço do São Paulo Basquete e promete ser maior nome do NBB (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Ex-NBA, Bruno Caboclo é reforço do São Paulo Basquete e promete ser maior nome do NBB

A eliminação do São Paulo diante do Palmeiras na Libertadores foi a convidativa ocasião que alguns “torcedores” esperavam para comentar que o clube precisa focar apenas no futebol masculino, abolindo categorias femininas, basquete e qualquer outra modalidade que venha a usar a camisa tricolor. Nas redes sociais, a ideia foi aplaudida por alguns, mas, claro, também foi respondida com maior grau de sensatez por outros.

O basquete são-paulino ganhou destaque na última semana pela contratação de Bruno Caboclo, que deve ser, por nome, o maior jogador da próxima edição do NBB. O ala já estreou no Campeonato Paulista no último sábado e ajudou o Tricolor a superar o rival Corinthians. O futebol feminino também foi notícia. A transmissão da vitória sobre o Inter pelas quartas de final do Brasileirão A1 registrou a maior audiência do horário entre os canais por assinatura. Vale lembrar também que, por recomendação da Conmebol, sem a existência do time feminino o São Paulo não poderia nem disputar a Libertadores. Mas, para alguns torcedores, atletas das demais modalidades, além de alcançar sucesso nas respectivas competições, precisam ajudar os atacantes do masculino a calibrar o pé e evitar que percam gols como o que Pablo perdeu no segundo tempo.

Nas redes sociais, é comum ver a manifestação de várias personalidades ao torcer. Pensando no “acolhimento” dos esportes olímpicos durante uma má fase do futebol masculino, existem dois tipos opostos e igualmente tóxicos de torcedor: o já citado anteriormente, que acredita que as demais modalidades prejudicam o futebol masculino, absoluta prioridade e detentor de todos os recursos; e o torcedor que decreta "agora, eu só torço para o basquete”, “agora, eu só torço para o futebol feminino”, e assim por diante.

O segundo tipo, apesar de ser um “meme”, é prejudicial porque “espera” o futebol masculino decepcionar para acompanhar as demais modalidades. Infelizmente, o recurso desses outros esportes ainda depende muito do desempenho do masculino principal, já que é ele que determina o orçamento do clube. Então, "esperar" futebol de homens não dar resultado para acompanhar outras modalidades pode fazer com que elas nem existam mais.

O primeiro tipo é prejudicial, obviamente, porque joga a culpa de uma possível falta de recurso do futebol masculino nos demais esportes, quando, muitas vezes, acontece o oposto — sem falar que a folha salarial de um ano inteiro de projeto ainda pode ficar bem distante do valor mensal gasto com os astros do futebol masculino. É fácil achar casos recentes e isso só pensando no basquete, fora os demais casos de negligência com o esporte feminino. Um “bom péssimo” exemplo é o Botafogo. Em 2019, o time botafoguense, comandado por Léo Figueiró, foi campeão sul-americano superando o Corinthians em uma final marcante e brigava por mando de quadra nos playoffs quando a temporada foi encerrada por causa da pandemia. O time de futebol acabava de ser rebaixado para a Série B. Com uma má gestão e um desmonte visível dos esportes olímpicos do clube, o time de basquete foi “extinto” e perdeu suas principais peças, embora tenha tentado voltar à ativa na temporada seguinte.

Muito se fala que a prioridade deve ser o futebol masculino porque é o que dá lucro. Em um ambiente ainda hostil às demais modalidades, o primeiro objetivo é conseguir se sustentar por conta própria, quando nem mesmo as vitórias são garantia de manutenção do projeto.

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