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Preta, Preta, Pretinha
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A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO

Layout arte e cultura

Preta, Preta, Pretinha

A personagem pública Preta Gil foi muito maior do que a cantora Preta Gil. Ela será lembrada como ícone na defesa das mulheres negras, gordas, bissexuais, gays, lésbicas e periféricas.
 Preta Gil, um dos mais icônicos símbolos de nossa mídia neste início de século.  (Foto: Reprodução/Instagram)
Foto: Reprodução/Instagram Preta Gil, um dos mais icônicos símbolos de nossa mídia neste início de século.

Algumas pessoas são mais célebres por sua personalidade do que por sua obra. Apesar de me arriscar ao cancelamento dos fãs, Marilyn Monroe e Frida Kahlo são exemplos disso. Monroe é lembrada mais como sex symbol de uma época do que por seus atributos como atriz. Kahlo, apesar de ser uma grande artista, é mais celebrada por seu estilo de vida, sua autenticidade, o desafio às convenções sociais e pela luta pelos direitos das mulheres.

Neste mesmo prisma, podemos incluir, sem juízo de valor, a Preta Gil, recentemente falecida, vítima de um câncer. A personagem pública Preta Gil foi muito maior do que a cantora Preta Gil. Ela será lembrada como ícone na defesa das mulheres negras, gordas, bissexuais, gays, lésbicas e periféricas. Preta é um dos mais icônicos símbolos de nossa mídia neste início de século.

Polêmica, errática, corajosa e despudorada, no melhor sentido que esta palavra possa ter, mas Preta Gil é um produto da indústria de massa e, por que não, assim mesmo, da indústria da publicidade.

A nossa atividade trabalha com arquétipos (reais e irreais). O Brasil é um país racista. Pois bem, por aqui, um pai vai batizar uma criança e diz ao escrivão do cartório: "O nome dela é Preta". O burocrata responde: "Não posso registrar uma criança com este nome". Gilberto, o pai, retrucou: "Ora, como se explica termos nomes de crianças como Branca, Clara e Rosa?" Este episódio retrata muito o que é o Brasil e, por que não, o nosso mercado.

Até pouco tempo, as campanhas de lançamentos de imóveis só tinham famílias brancas, como se fôssemos um país nórdico. Os anúncios de xampus não tinham mulheres negras com seus cabelos cacheados. Era como se o mercado não os visse como consumidores. Preta Gil foi um dos símbolos dessa virada. Não somente por ser negra, mas por ser uma mulher gorda, outro tabu que também foi derrubado (em parte) neste período.

A sexualidade foi outro calo na publicidade brasileira (para ficar somente entre nós). E aqui falo da sexualidade sem sexismo. Sexualidade no sentido da cidadania e do respeito social. Não falo da sexualidade das campanhas de cerveja do final do século XX. Falo das campanhas que trazem mulheres e seus corpos reais. Mulheres emancipadas.

Preta Gil atuava no mercado publicitário. Era sócia da Mynd, empresa especializada no agenciamento de influenciadores e criadores de conteúdo. Preta foi uma inspiração para o empoderamento das mulheres, não a única, é claro. Mas foi para nós, profissionais, uma das mais divertidas e legítimas inspirações para termos um olhar mais real sobre o preconceito em nosso mercado.

Eu recomendo

Céu Studart, consultora de Marketing e Branding e fundadora da Desencaixa Branding (Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Arquivo pessoal Céu Studart, consultora de Marketing e Branding e fundadora da Desencaixa Branding

"Alguns livros marcam a vida. O velho e o menino: a instigante descoberta do propósito, de Roberto Tranjan, é um deles. Com leveza e profundidade, a obra narra o encontro entre um menino e o velho Taful em um diálogo que desperta reflexões sobre propósito. É uma leitura atemporal que inspira a viver com mais consciência em todos os aspectos e a transformar a vida em uma incrível jornada, fruto das nossas decisões do presente".

Céu Studart é consultora de Marketing e Branding e fundadora da Desencaixa Branding. É docente de graduação e pós-graduação. Mestre em Marketing pela UFC.

Collab off-road

A ArcelorMittal é a nova parceira da equipe Mitsubishi Motors no Rally dos Sertões.(Foto: Divulgação/Fernanda Freixosa)
Foto: Divulgação/Fernanda Freixosa A ArcelorMittal é a nova parceira da equipe Mitsubishi Motors no Rally dos Sertões.

A ArcelorMittal é a nova parceira da Mitsubishi Motors no Rally dos Sertões. Além do patrocínio, o projeto inclui o desenvolvimento de uma aplicação em aço de alta resistência para a Triton Rally. A solução, que busca unir desempenho e leveza, ainda não será usada na temporada de 2025.

A iniciativa expande a presença da marca no setor automotivo esportivo, que já inclui parcerias com a Stock Car e a Copa Truck.

C'est à la mode!

Exposição Lino Villaventura(Foto: Divulgação/Museu da Fotografia Fortaleza)
Foto: Divulgação/Museu da Fotografia Fortaleza Exposição Lino Villaventura

O Museu da Fotografia Fortaleza apresenta a exposição "Lino Villaventura", em cartaz até 19 de outubro. A mostra, com curadoria de Denise Mattar, reúne looks e imagens de 12 fotógrafos de diferentes estilos e gerações. O espaço celebra os 50 anos de carreira de um dos maiores estilistas brasileiros e é um diálogo entre moda e fotografia. Uma referência para nós, publicitários. Imperdível.

Mais

TECNOLOGIA E CULTURA. A Terravista 360 assina a estrutura audiovisual do espetáculo Nordestinamente, do Circo do Tiru. Luz, som, painéis, projeções e conteúdos multimídia criam uma experiência que celebra a cultura nordestina. Pelo menos é essa a intenção: reforçar a marca da produtora no segmento regional de entretenimento.

TUDO VALE PONTO. A Ancar Ivanhoe lançou o aMais, programa de gamificação que aprofunda o relacionamento com os clientes nos shoppings da rede em Fortaleza. A cada desafio concluído, os pontos acumulados viram brindes, experiências exclusivas e descontos em lojas participantes. A solução torna a jornada de compra imersiva e reforça o engajamento com o consumidor.

DE CARA NOVA. A Metro Design assina o rebranding do restaurante Kazui. A marca agora conta com uma identidade que tem força e vibração nas cores, grafismos inspirados em ingredientes e uma tipografia fluida. Solução eficiente e sem maionese.

Dois pontos com Alexandre Medina

Alexandre Medina, Diretor Geral de Negócios do Grupo de Comunicação O POVO(Foto: Thais Mesquita/OPOVO, em 9.2.2022)
Foto: Thais Mesquita/OPOVO, em 9.2.2022 Alexandre Medina, Diretor Geral de Negócios do Grupo de Comunicação O POVO

Alexandre Medina, publicitário, Diretor Geral de Negócios do Grupo de Comunicação O POVO.

O POVO - Como está o mercado para o jornal impresso hoje em dia?

Alexandre Medina - O jornal impresso é mais que uma plataforma de notícias. Trata-se de uma forma de editar uma informação. Uma edição que o torna um produto matriz para todas as outras formas de distribuição de conteúdo. Hoje costumamos falar que somos um jornal que está disponível até em papel. Somos um dos maiores veículos no Instagram e no Youtube em todo país. Estamos no rádio, temos uma das melhores plataformas digitais do mercado nacional e atuamos fortemente em novos formatos e projetos especiais.

O POVO - Como você enxerga o mercado publicitário do Ceará?

Alexandre - Considero que temos um mercado altamente profissional, repleto de talentos e com cases incríveis de construção de marcas nacionais. Nossas agências e nossos profissionais ocupam posições de destaque em premiações e licitações em todo país. Sem contar que conhecem nosso sotaque e nosso jeito de ser e de fazer negócios.

O POVO - O que é necessário para um profissional ingressar na área de negócios de um veículo?

Alexandre - Antes de mais nada, repertório e uma disposição incansável de aprender e reaprender. Todo tempo temos novos produtos, novos mercados, novas abordagens, ferramentas e tudo isso foi ainda mais potencializado com o advento da Inteligência Artificial. O profissional de negócios de nosso mercado tem que ser um ninja.

O POVO - O POVO celebra daqui a dois anos, seu centenário, você pode nos antecipar o mote?

Alexandre - Não sei se o mote, mas na diretoria discutimos muito sobre este tema. O mais importante não é somente celebrar 100 anos, é a forma que estamos ao completarmos 100 anos: ativos, eretos, firmes na missão do bom jornalismo, atualizados sem abrir mão da tradição, visionários e realizadores ao mesmo tempo.

 

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