A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO
A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO
O mundo, meus amigos, virou uma imensa gôndola de supermercado digital, onde se vende de tudo. E, no meio desse caos, ainda nos agarramos a Philip Kotler, o velho guru que, de sua torre, tenta decifrar o presente com mapas do passado. Seu "Marketing 4.0" soa como um discurso distante. Mas será que o bom e velho Kotler, com suas fórmulas e seus "Ps", ainda consegue dar conta de um mundo que se desfaz e se refaz a cada segundo, a cada clique? Ou seria ele o maestro de uma orquestra que insiste em tocar Mozart enquanto o navio afunda ao som de funk, tal qual aquela cena de "Titanic"?
Hoje, o consumidor — esse ser mutante e hiperconectado — não quer apenas comprar; quer pertencer, quer acreditar. Ele desfila por aí com seu smartphone como um cetro, o dedo pronto para glorificar ou destruir uma marca com um único clique. E as empresas, coitadas, correm atrás desse novo deus caprichoso, oferecendo não mais produtos, mas "experiências", "propósitos" e "causas".
Eis o grande fetiche da nossa era: o marketing de causas. As marcas, de repente, viraram ONGs. Vendem tênis para salvar o planeta, refrigerante para unir os povos e sabonete para empoderar mulheres. É uma esquizofrenia completa. A mesma corporação que explora mão de obra barata em algum canto esquecido do mundo agora posa de defensora dos direitos humanos. E nós, os idiotas da objetividade, aplaudimos. Compramos a causa, e o produto vem de brinde.
Não me queiram mal. A intenção pode até ser nobre. O problema é quando a nobreza vira estratégia, quando a virtude se torna um item na planilha de branding. A reputação, essa entidade frágil, virou o ativo mais valioso. Uma marca, hoje, não é o que vende, mas o que dizem sobre ela no tribunal das redes sociais. O branding deixou de ser a arte de construir uma identidade para se tornar ciência de dados: um jogo de espelhos em que a imagem vale mais do que a realidade.
E assim caminhamos, sedentos de utopias, buscando numa etiqueta a transcendência que não encontramos mais na religião ou na política. A marca virou nosso credo; o consumo, nossa oração. Pagamos dízimos por produtos que prometem nos redimir, nos tornar pessoas melhores, mais conscientes, mais engajadas. Mas, no fim do dia, o que resta é apenas o vazio de mais uma compra, a ressaca de mais uma ilusão. A alma, meus amigos, não é um negócio. Mas, nesse admirável mundo novo, ela vende que é uma beleza. E Kotler, coitado, do seu pedestal, talvez já não entenda mais nada.
Bruna Memória é publicitária, formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Ela é sócia da Rua Zero Produtora, hub criativo sediado em Fortaleza, que desde 2020 vem se posicionando como um laboratório de inovação audiovisual.
O POVO - Como podemos definir o papel da Rua Zero Produtora no mercado?
Bruna Memória - A Rua Zero tem um diferencial bem explorado: nosso olhar criativo e estratégico na realização de projetos audiovisuais, sempre aplicando o filtro da produtora e propondo soluções para atender a diferentes formatos. Tentamos usar os obstáculos, sejam de orçamento, tempo ou escopo, como parte do processo criativo, trabalhando sempre com referências atuais e uma curadoria artística que represente o DNA daquilo em que acreditamos.
O POVO - Em quais etapas da produção audiovisual a inteligência artificial já entrou nos processos da Rua Zero?
Bruna - Para nós, o uso da inteligência artificial faz parte desse olhar criativo e estratégico. Ela auxilia principalmente nos processos internos, na organização e nos fluxos dos projetos, atuando muito mais como uma ferramenta de organização criativa do que como uma ferramenta de criação em si. Hoje, as agências já orçam campanhas que dialogam com essas tecnologias. Ainda assim, não usamos a inteligência artificial para substituir a concepção criativa, mas como uma nova forma de realizar e organizar ideias.
O POVO - Na sua perspectiva, o que faz uma produção audiovisual ter autenticidade nordestina?
Bruna - Acredito que o principal diferencial esteja em equipes formadas por profissionais que são, de fato, nordestinos e que constroem seu repertório criativo a partir da própria cultura e das vivências locais. Assim, as representações nordestinas se afastam de estereótipos e ganham mais verdade e complexidade. O resultado são conteúdos, campanhas e ações nos mais diversos formatos, que entregam a essência do que é, de fato, o Nordeste.
O POVO - Qual sua expectativa para o mercado criativo do Ceará em 2026?
Bruna - Acredito que o mercado será mais crítico em relação à qualidade das produções. Vejo o olhar autoral sendo cada vez mais valorizado, seja no audiovisual, na moda ou em qualquer linguagem visual. Em meio ao excesso de conteúdo, aquilo que carrega autenticidade e profundidade naturalmente se destaca e passa a ter mais valor no mercado.
Eu indico o livro "O Perigo de Estar Lúcida", de Rosa Montero. A obra tira você do piloto automático e faz encarar, com gentileza e ironia, o que vem sendo adiado. Montero escreve com franqueza sobre o custo de enxergar com nitidez a realidade ao redor. Para a publicidade, é uma aula de atenção: a lucidez dói, mas afia o repertório, refina a escuta e devolve verdade — matéria-prima para qualquer marca que queira ser humana.
A Universidade Aberta do Nordeste (Uane), da Fundação Demócrito Rocha, prorrogou até 15 de janeiro as inscrições para o curso on-line gratuito de Literatura de Cordel. As aulas somam 160 horas e dão direito a certificado. O curso homenageia Arievaldo Viana e Joseph M. Luyten. A grade curricular inclui conteúdos de Marco Haurélio, Rouxinol do Rinaré, Stélio Torquato Lima e Bráulio Tavares.
O POVO celebra 98 anos com a campanha "O POVO continua a escrever a sua história". O manifesto transforma a memória em posicionamento. A ação relembra o papel do jornal e sua presença no território, no tempo e em todas as telas. O jornal une papel, áudio, vídeo e streaming para reafirmar seu propósito e mirar o centenário, em 2028. Um branding que registra o agora e projeta o sucesso do futuro.
A agência Temprano promove evento gratuito sobre varejo no BS Design. Após o sucesso das duas primeiras edições, o "Pós-NRF Temprano" acontecerá em 28 de janeiro, às 18h30min, no auditório do BS Design. A empresa de marketing vai destrinchar os insights da NRF Retail's Big Show, feira global de varejo realizada em Nova York. O objetivo é levar os destaques da feira para o mercado publicitário local.
A Indústria São Geraldo celebrou o Dia de Reis com uma ação de live marketing. As portas da Vila São Geraldo se abriram no dia 6 de janeiro, em Juazeiro do Norte, para homenagear a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. A programação começou às 9h e reuniu romeiros, visitantes e colaboradores. A iniciativa já integra o calendário oficial da empresa e encerra a romaria do ciclo natalino.
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