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Peter Pan é cringe
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A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO

Layout arte e cultura

Peter Pan é cringe

A releitura da antiga síndrome
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O etarismo como nova síndrome do Peter Pan (Foto: Matt Bennett)
Foto: Matt Bennett O etarismo como nova síndrome do Peter Pan

Vamos conversar hoje sobre um fenômeno social dos nossos tempos: o etarismo. Em essência, é a forma modernosa de transformar o tempo em culpa. Ele surge disfarçado em diálogos, com frases do tipo: "novo demais", "geração mimimi", "isso é do seu tempo", entre outras.

O etarismo, como toda neurose bem-sucedida, ganhou músculos e virou prática de mercado. Hoje, não apenas as pessoas envelhecem mal; as marcas também. E envelhecem sob os holofotes das redes sociais. Agora, a palavra da vez é cringe. Um selo cruel. O cringe não discute qualidade, não analisa contexto, não respeita história. Ele só aponta e ri. E, nesse tribunal informal, muitas marcas recebem uma sentença sem direito a apelação.

O Corolla, por exemplo, não é um carro obsoleto. Pelo contrário: é confiável, durável, eficiente. Mas virou "carro de tio". E ser "de tio" não é um dado técnico — é um juízo cultural. O whisky, então, não perdeu complexidade nem sabor; perdeu conversa com o presente. Continuou falando baixo num mundo que mudou o tom de voz. O problema nunca foi o produto. Foi o código.

O tempo deixou de ser linear. As gerações se misturam, se copiam, se atravessam. O jovem quer estabilidade emocional e financeira; o adulto quer experimentar, ousar, reaprender. A Geração Z romantiza o analógico; os 50 fazem dancinha no TikTok. O mundo virou um grande caldeirão de referências, valores e desejos.

O desafio para nós, profissionais de marketing, é traduzir tudo isso em conceito. O verdadeiro desafio do branding contemporâneo é criar um blended conceitual: uma mistura entre passado e futuro. Não é maquiar a marca com gírias novas, nem fazer cosplay de Peter Pan. Isso soa falso e ridículo. E nada envelhece mais rápido do que a tentativa desesperada de parecer jovem.

Marcas fortes sabem que juventude é atitude, não estética. É curiosidade, abertura, disposição para diálogo. E tradição não é peso — é lastro. É o "eu já estive aqui antes" que dá segurança na volatilidade. Quando essas forças se encontram, nasce algo raro: marcas atemporais.

Talvez o antídoto para o etarismo — nas pessoas e nas marcas — seja aceitar que envelhecer não é perder relevância, é mudar de função. É aprender novos códigos sem apagar a história. É entender que ser atual não é correr atrás do novo, mas saber dialogar com ele.

No fim das contas, o cringe não está na idade. Está na falta de escuta.

E marcas que escutam atravessam gerações. As outras… viram ruído. Ou silêncio.

dois pontos com Deglaucy Jorge

Deglaucy Jorge(Foto: João Filho)
Foto: João Filho Deglaucy Jorge

Deglaucy Jorge é graduado em Gestão de Marketing pela Wyden, possui pós-graduação pela Faculdade 7 de Setembro, é mestre em Design Gráfico pela Universidade Federal de Santa Catarina, tem MBA em Design de Games e atualmente atua como gerente educacional na Fundação Demócrito Rocha.

O POVO - Como você utiliza a inteligência artificial nos seus projetos?

Deglaucy Jorge - Posso resumir meu uso da inteligência artificial em três frentes. A primeira é a passiva, quando a IA atua como uma assistente informativa, respondendo às minhas perguntas. A segunda é a interativa, presente em processos de co-criação, como na construção de moodboards. Já a terceira é a proativa, etapa em que compartilho teorias e pesquisas com a IA, e ela passa a propor críticas, apontar problemas e sugerir possíveis soluções.

O POVO - Quais soluções a inteligência artificial entrega para melhorar a entrega de projetos educacionais dentro da fundação?

Deglaucy - Nesse contexto, a IA pode apoiar todo o processo de design — desde a criação de ferramentas educacionais específicas até o desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem mais adaptativos, capazes de reconhecer o perfil de aprendizagem de cada estudante, desenvolver objetos de aprendizagem gamificados, alinhados às metodologias ativas, e otimizar o engajamento com base em dados e nas dificuldades reais dos estudantes.

O POVO - O que você percebeu que virou padrão de qualidade no mercado de design gráfico?

Deglaucy - O design passou por uma trajetória que vai do valor estético à função, depois ao significado e, hoje, à profundidade analítica. Se antes a forma seguia a função e o foco era o usuário, hoje acrescenta-se o significado, considerando o contexto e os valores humanos. Essa integração entre empatia, intuição, criatividade e imaginação humanas com o poder analítico (e generativo) da IA tornou-se um novo padrão de qualidade.

O POVO - Qual é a dificuldade de conciliar um bom design de interface com uma boa experiência do usuário?

Deglaucy - O essencial é que o design de experiência caminhe em conjunto com o design de interface desde o início de um projeto. No design digital, por exemplo, o profissional não deve se limitar a ferramentas como Figma ou Adobe XD, mas integrar plataformas de IA e dados analíticos, indo além das personas para testar e validar soluções de forma contínua.

Dica do livro

Livro - Co-inteligence(Foto: Intrínseca/ Divulgação)
Foto: Intrínseca/ Divulgação Livro - Co-inteligence

Eu indico: Co-Intelligence: Living and Working With AI, de Ethan Mollick. O autor explica como humanos e inteligência artificial podem trabalhar juntos para acelerar a criatividade, a produtividade e a tomada de decisões. O livro destrincha o conceito de "co-inteligência": a colaboração entre pessoas e IA que potencializa os pontos fortes de cada um, especialmente no universo do marketing.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Visão concreta

A nova campanha da Agência Timoneiro(Foto: Ingrid Moura/ Timoneiro)
Foto: Ingrid Moura/ Timoneiro A nova campanha da Agência Timoneiro

A agência Timoneiro foi responsável pela criação da nova identidade visual da Cimento Apodi. O novo branding traduz valores em seis cores e sustenta o conceito de cultura viva. O lançamento da nova estratégia ocorreu em um evento interno da marca. A programação contou com palestras, incluindo a de Marcel Pinheiro, sócio-diretor da Timoneiro, que tratou de práticas voltadas à geração de resultados.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo nacional

Agência Acesso Estratégia (Foto: Paulo Pereira/São Braz Bebida/ Divulgação)
Foto: Paulo Pereira/São Braz Bebida/ Divulgação Agência Acesso Estratégia

A Acesso Estratégia Criativa assume o reposicionamento da São Braz Bebidas. A agência se prepara para liderar a criação da campanha comemorativa de 50 anos da marca em 2026. O novo posicionamento envolve diagnóstico de marca, reestruturação de portfólio, nova identidade e ativações previstas para a Semana Santa. O objetivo da agência é conectar legado afetivo com ambição nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bloco na rua

Agência Bolero assina identidade visual do Carnaval de Fortaleza.(Foto: Bolero/Divulgação)
Foto: Bolero/Divulgação Agência Bolero assina identidade visual do Carnaval de Fortaleza.

A Bolero assina a identidade visual da campanha de Carnaval da Prefeitura de Fortaleza. A ação aposta na cidade como protagonista da folia. Monumentos históricos ganham vida e conduzem encontros, dança e afetos. A narrativa coloca Fortaleza no centro da experiência carnavalesca. O conceito reforça o Ciclo Carnavalesco como expressão cultural e como um convite aberto às ruas.

 

 

 

 

 

 

 

Radar do consumo

Grupo de Mídia do Ceará(Foto: Natalia Rodrigues/GMGC/Divulgação)
Foto: Natalia Rodrigues/GMGC/Divulgação Grupo de Mídia do Ceará

O Grupo de Mídia Ceará realizou, na quarta-feira, 15 de janeiro, seu primeiro evento oficial do ano. A reunião contou com a presença de associados para discutir a nova era do consumo e seus reflexos no mercado. O encontro teve palestra de Mateus Moura, do Kantar IBOPE Media. A iniciativa tem como objetivo oferecer conteúdo qualificado e promover networking entre os associados do grupo.

 

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