A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO
A Layout é um espaço que aborda o mercado publicitário local e nacional. Cliff Villar é jornalista, publicitário e professor. Atualmente é diretor Corporativo do Grupo Comunicação O POVO
Parece uma distopia, mas é a realidade brasileira. O que era uma anomalia vocabular acabou, numa canetada, se tornando uma profissão. A Lei nº 15.325/2026 transformou os ditos "influenciadores digitais" no eufêmico "profissional multimídia". Mas, afinal, o que isso significa e qual é o impacto dessa mudança no mercado e na sociedade?
Imagine o exercício da medicina sendo liberado a curandeiros e terapeutas formados em cursos rápidos no YouTube. A metáfora ilustra um dos cenários mais problemáticos da mídia contemporânea. Segundo uma pesquisa do Reuters Institute, 33% dos brasileiros se informam por meio de "influenciadores", enquanto 30% recorrem ao jornalismo tradicional.
Entre jovens, os números são mais alarmantes. São quase quatro milhões de influenciadores disputando, ativamente, espaço no mesmo mercado que jornalistas e veículos profissionais. De um lado, temos a informação com apuração, checagem e curadoria; do outro, a mensagem enviesada pela busca por engajamento e, quase sempre, sem nenhuma fundamentação sólida e comprovada.
Na Europa, a Lei de Serviços Digitais impõe regras claras e maior transparência às plataformas digitais. Na China, é obrigatório ter notório saber para abordar determinados assuntos, exigindo algo como um diploma ou comprovação formal de competência. A questão, no Brasil, está nos desdobramentos dessa situação caótica e preocupante.
Atualmente, jornalistas estão se tornando influenciadores para sobreviver financeiramente, ao passo que influenciadores montam estruturas de mídia para parecerem mais sérios e, assim, alcançarem alguma credibilidade. Trata-se de uma gangorra que une desespero e oportunidade. Alguns especialistas defendem a regulamentação da atividade, mas a verdade é que vivemos um paradoxo: nunca tantos falaram para tantos com tão pouco a dizer. E, no fim do dia, quando os likes desaparecem, a pergunta que permanece é: em quem, afinal, podemos confiar?
Este texto pode parecer um panfleto geracional que demoniza o novo, mas não é. O que tratamos aqui é bem mais profundo e estrutural. Colocar o jornalismo como sinônimo de influência é um erro crasso de análise. O bom jornalismo não forma opinião, como acreditam, erroneamente, alguns comunicadores. O bom jornalismo comunica, informa e opina com base em fatos. Com base nesses dados e mensagens, o receptor — seja ele leitor, espectador, ouvinte ou usuário — analisa, decodifica e, finalmente, forma sua própria opinião de maneira autônoma, crítica e consciente.
Bob Santos é publicitário. Iniciou sua carreira aos 16 anos, ao ingressar na SG Propag, fundada por seu pai, Assis Santos.Ele foi presidente do Sinapro Ceará no triênio de 2017 a 2020. Atualmente, é diretor-geral e proprietário da SG Propag.
O POVO - Qual foi o traço que se manteve intocável na cultura da da SG Propag ao longo desses 50 anos?
Bob Santos - Compromisso. Esse é o traço que resume essa trajetória tão longa no nosso mercado: compromisso com os resultados, com o investimento do cliente, com a ética e com os nossos colaboradores. Completar 50 anos e continuar relevante no mercado publicitário exige, além de criatividade, empenho e resiliência diários.
O POVO - No seu portfólio, é possível ver clientes que já estão com você há mais de 40 anos. Qual é o segredo para manter essa relação duradoura?
Bob - Acredito que o segredo seja ser transparente e entregar resultados. Um exemplo nosso é o da Casa Pio: temos uma sinergia singular com a marca. O varejo precisa desse tipo de entrega, que é uma grande característica da SG. O envolvimento com o negócio dos nossos clientes se reflete em parcerias longas. Na SG, vamos muito além das frases prontas usadas no mercado. A gente faz.
O POVO - O que você acha que as empresas do Ceará podem incorporar sobre construção de marca em 2026?
Bob - O mercado assiste a uma transição em que empresas locais evoluem de meras fornecedoras para marcas com identidade forte e conexão emocional com seus públicos. A integração de todos os pontos de contato com o cliente — físico, digital e atendimento — tornou-se um requisito básico de sobrevivência, assim como a clareza de propósito da marca.
O POVO - Como a SG Propag utiliza ferramentas de inteligência artificial hoje?
Bob - Já há algum tempo temos incorporado ferramentas de inteligência artificial na agência. São recursos que nos dão mais rapidez nos processos e nas entregas, além de plataformas que apoiam o processo criativo. Elas são usadas principalmente nas áreas de pesquisa de mercado, mídia e planejamento.
O POVO - Com a sua experiência, o que separa uma agência relevante de uma agência “sobrevivente”?
Bob -Isso não se resume a um único fator, mas a um conjunto de variáveis: o perfil dos clientes, o cenário econômico e, claro, a capacidade de gerar e demonstrar valor. Enquanto algumas agências conquistam novos negócios e definem seu espaço na comunicação cearense, outras lutam contra a perda de clientes, a estagnação e a queda de rentabilidade.
Eu indico Santiago de Compostela: Um Caminho de Vida, de Marcelo Prauchner Duarte. É um livro sobre o Caminho de Santiago. A obra faz um paralelo entre o percurso e a nossa vida pessoal e profissional, mostrando desafios, resiliência e, principalmente, a necessidade de reflexão. A jornada mistura esforço físico, silêncio e encontros. Passo a passo, o caminho vira espelho: menos pressa, mais sentido.
O grupo Moura Dubeux, agora MDNE, anuncia sua nova marca-mãe corporativa. O novo nome e a identidade visual refletem a movimentação de mercado do grupo, que começou com foco em imóveis de alto padrão. Hoje, a holding atua também em segmentos de médio padrão, com a Mood, e em habitações econômicas, com a Un1ca. A MDNE surge para reforçar o posicionamento de cada marca do portfólio do grupo.
O Grupo de Comunicação O POVO e a Fundação Demócrito Rocha abrem inscrições para o curso Novos Talentos até 19 de fevereiro. Com duração de três meses, o programa é voltado a estudantes de Jornalismo a partir do 3º semestre. A grade combina aulas teóricas e prática direta nas redações.O programa aproxima a turma da rotina multimídia. As inscrições podem ser feitas em: fdr.org.br/novostalentos.
A agência Mulato lançou o Z.LABS, unidade operacional exclusiva para a Zenir Móveis. O novo braço da agência conta com 11 profissionais dedicados a integrar estratégia, criação, mídia e performance. O movimento representa a velocidade e os fluxos de trabalho otimizados exigidos no varejo moderno. A célula tem o objetivo de incorporar a análise de dados em tempo real às demandas da marca de móveis.
A Agência Temprano realizou, em janeiro, a 3ª edição do Pós-NRF, no BS Design. O evento traduziu os insights da NRF Big Show, a maior feira de varejo do mundo, realizada em Nova Iorque. O público participou de painéis temáticos com empresários e especialistas convidados, conectando tendências internacionais à realidade regional. A programação foi conduzida por Pádua Sampaio, diretor da agência.
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