Lucas Mota é editor-chefe de Esportes do O POVO e da rádio O POVO CBN. Estudou jornalismo na Universidade 7 de Setembro e na Universidad de Málaga (UMA). Ganhou o Prêmio CDL de Comunicação na categoria Webjornalismo e o Prêmio Gandhi de Comunicação na categoria Jornalismo Impresso, e ficou em 2º lugar no Prêmio Nacional de Jornalismo Rui Bianchi
É um retorno que tem grande apelo da torcida, que vinha cobrando a diretoria pela contratação do ídolo alvinegro. Mas ele é a solução para o Vovô decolar na Série A?
Foto: KELY PEREIRA/ AGÊNCIA ESTADO
Vina brilhou no Ceará na temporada de 2020, quando marcou 23 gols e deu 19 assistências
Entre gestos públicos de carinho, declarações e até um suposto descarte, Vina está muito próximo de voltar a ser jogador do Ceará. É um retorno que supre grande apelo da torcida, que vinha cobrando a diretoria pela contratação do ídolo alvinegro. Mas ele é a solução para o Vovô decolar na Série A?
A resposta é não. Quem enxerga Vina como a grande solução do Alvinegro se perde na ilusão de que o meia pode entregar, em alto nível, o que já produziu no passado. É uma expectativa também contaminada pela carência atual do elenco, evidenciada pela pouca produção de quem sai do banco — casos de Rômulo, Matheus Araújo, Fernandinho, Aylon e Bruno Tubarão, por exemplo.
O Vina que pode retornar ao Ceará está longe de ser aquele que viveu o auge da carreira em 2020. É preciso lembrar que a trajetória do meia no profissional sempre foi marcada por irregularidade. No próprio Ceará, ele não conseguiu repetir as atuações do primeiro ano em 2021 e 2022.
Desde que deixou Porangabuçu, Vina só caiu de rendimento. Teve passagens apagadas por Grêmio e pelo futebol árabe — este, com nível técnico bem inferior ao da Série A do Campeonato Brasileiro. Aos 34 anos, ele não disputa uma partida oficial há mais de dois meses.
Em 2025, foram apenas 15 jogos pelo Al-Jubail, clube da segunda divisão da Arábia Saudita.
O problema do Ceará não se resolve com a chegada de um jogador — por mais decisivo que ele possa ser. A equipe precisa evoluir coletivamente. No cenário atual, há deficiências técnicas e táticas no time comandado por Léo Condé.
É um bom movimento de mercado? Diante das circunstâncias — elenco limitado, salário compatível com a média do grupo e forte identificação com o clube —, a contratação de Vina tem aspectos positivos. Ainda assim, seria mais estratégico apostar em jogadores mais jovens.
A conexão de Vina com o Ceará pode influenciar positivamente o ambiente interno, elevar a confiança do grupo e mobilizar a torcida. Mesmo longe do auge, ele ainda tem qualidade para ser decisivo em jogos pontuais.
O time também sofre com a falta de criatividade no meio. Vina pode contribuir para amenizar essa carência.
Ele pode ser útil — até importante. Mas o Ceará precisa de mais: reforços de qualidade para o setor ofensivo e melhor organização tática. Apostar tudo em Vina seria simplificar um problema mais complexo.
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