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A semente da arte não germina na Expocrato
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Âncora e coordenador de Jornalismo da rádio O POVO CBN Cariri Já foi repórter da rádio O POVO CBN Cariri, em Juazeiro do Norte, e da rádio O POVO CBN, em Fortaleza. Atuou também no jornal O POVO, nas editorias de Cidades e Política. Atualmente, também é colaborador da editoria de Veículos do portal O POVO. Formado na Universidade Federal do Cariri (UFCA)

A semente da arte não germina na Expocrato

Sérvulo Esmeraldo é patrimônio do Crato. Sua obra merece ser preservada. Seu legado é motivo de orgulho. Espera-se um pouco mais de dignidade daqueles que por ignorância ainda não foram capazes de regar a semente da arte com o devido zelo e respeito
Multiartista Sérvulo Esmeraldo é homenageado em exposição no Centro Cultural do Cariri; cearense completaria 95 anos em 2024 (Foto: Gentil Barreira/Divulgação)
Foto: Gentil Barreira/Divulgação Multiartista Sérvulo Esmeraldo é homenageado em exposição no Centro Cultural do Cariri; cearense completaria 95 anos em 2024

No Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, local da tradicional Expocrato, a semente da arte não germina. Ela está mirrada. Sucumbe à inércia de quem ignora legados por omissão, incompetência ou desconhecimento.

No chão árido do desprezo ao belo, o respeito pelo fazer artístico não brota. Que o diga Sérvulo Esmeraldo, cuja memória e a trajetória reconhecidas internacionalmente são aviltados no quintal de casa. No Crato, cidade onde o artista plástico nasceu e se orgulhava de pertencer, a ‘Semente’ que ele plantou em forma de escultura está atrofiada.

A obra de arte do filho da terra se perde em meio a um emaranhado de fios e placas de publicidade, conforme registrou o repórter Yago Pontes, da rádio O POVO CBN Cariri. Danificada, abandonada e parcialmente descaracterizada, a Semente de Sérvulo foi enterrada na vala do descaso. Intrepidamente, ainda sobrevive, mas na iminência de ser sepultada.

A obra foi levada ao Parque de Exposições em 2018, após o local passar por ampla reforma. Deveria ocupar lugar proeminente no disputado espaço que abriga a maior feira agropecuária do Nordeste. No mundo ideal, claro. Na dura vida real, a representatividade da escultura e do artista que a assina foram solenemente ignorados.

A viúva de Sérvulo, Dodora Guimarães, que outrora chorava a partida do marido, convive com o luto infindável causado pelo vilipêndio à arte de quem, quando em vida, tanto amor declarou ao Crato.

Em defesa do legado de Sérvulo, Dodora bateu à porta de muitas autoridades no Crato para restabelecer o respeito à arte do ex-marido. Até hoje, tudo o que recebeu foi a certeza de que nada será feito.

Tratada como escora de parafernálias, a Semente do ilustre cratense fenece sem indicativo de sobrevida. Não tem plano de restauro, muito menos orçamento garantido para tal finalidade. Mas a poucos metros dela, no palco do Festival Expocrato, dinheiro não é problema. Investimento de R$ 16 milhões em recursos públicos para bancar a arte de quem sabe fazer dinheiro.

Sérvulo Esmeraldo é patrimônio do Crato. Sua obra merece ser preservada. Seu legado é motivo de orgulho. Espera-se um pouco mais de dignidade daqueles que por ignorância ainda não foram capazes de regar a semente da arte com o devido zelo e respeito.

A trajetória artística de Sérvulo é rica em bons frutos. Sua genialidade estava à frente do seu tempo. Ele sabia a importância da semente para uma colheita abundante.Tanto que as suas ideias —plantadas lá atrás— continuam a inspirar novos talentos no solo fértil do arte. Assim desabrocham os personagens que ganham páginas dignas nos livros de história. Os que se negam a reconhecer esta herança, mais do que desrespeitar um legado, golpeiam o futuro.

Foto do Luciano Cesário

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